Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Hospital pediátrico de Alepo atingido por bombardeamentos

Os edifícios ao redor do hospital pediátrico al-Bayan ficaram destruídos em ataques em junho

KARAM AL-MASRI

Pelo menos 32 pessoas, incluindo crianças, morreram desde terça-feira em nova ofensiva do regime sírio contra o leste da cidade, ainda sob controlo dos rebeldes. Ataques aéreos atingiram ainda banco de sangue e ambulâncias. Meios de comunicação social estatais dizem que tropas leais a Bashar al-Assad estão a preparar uma grande ofensiva terrestre

Um hospital pediátrico, um banco de sangue e uma série de ambulâncias foram atingidos na madrugada desta quinta-feira pela força aérea síria no leste de Alepo, ao segundo dia de ataques renovados contra aquela zona da cidade, sob controlo dos rebeldes desde 2012 e sitiada há três meses pelo regime de Bashar al-Assad. O diretor do hospital pediátrico al-Bayan foi forçado a procurar refúgio na cave do edifício para escapar aos bombardeamentos, que mataram pelo menos 21 pessoas, incluindo cinco crianças.

De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) e ativistas no terreno, pelo menos 32 pessoas, incluindo um número indeterminado de crianças, perderam a vida em Alepo desde terça-feira, dia em que o regime sírio retomou os ataques aéreos contra a parte oriental de Alepo após uma moratória de três semanas declarada pelas forças russas aliadas de Assad. De acordo com os meios de comunicação social estatais sírios, o regime está a preparar uma grande ofensiva no terreno. O OSDH, com sede em Londres, avança que várias partes do leste de Alepo foram atingidas por mísseis disparados por caças de guerra, por bombas barril largadas de helicópteros e por fogo de artilharia na quarta-feira.

A Associação de Médicos Independentes, que tem prestado apoio a vários hospitais e centros médicos da Síria, desde o início da guerra civil há cinco anos e meio, avança que o al-Bayan ficou seriamente danificado. O dr. Hatem, diretor do hospital, foi citado pela associação a dizer que ficou encurralado na cave do edifício com outras pessoas que estavam no hospital à hora dos ataques. “Os aviões estavam a sobrevoar-nos, não conseguíamos sair. Talvez possamos proteger-nos neste sítio.”

Entre as vítimas dos bombardeamentos de quarta-feira conta-se um paramédico dos Capacetes Brancos (White Helmets), um grupo de voluntários da Defesa Civil Síria que têm prestado apoio de emergência à população no rescaldo dos inúmeros ataques contra Alepo. “Os helicópteros não param nem por um momento”, disse o porta-voz do grupo, Bebars Mishal, à Reuters. “Neste momento, nada indica que os bombardeamentos vão parar.”

Alepo, em tempos o centro industrial e comercial da Síria, está dividida desde 2012, com o Governo a controlar a parte ocidental e os rebeldes que lutam contra Bashar al-Assad e que estão a ser apoiados pelo Ocidente a controlarem o leste da cidade. A ONU e outros grupos de direitos humanos falam num cenário de “catástrofe humanitária”: grande parte da cidade está totalmente destruída e milhares de pessoas perderam a vida, os sobreviventes não têm acesso a comida, água nem medicamentos. Os ataques a hospitais e também contra escolas têm sido uma das marcas desta ofensiva.

A 22 de setembro, duas semanas depois de cercar o leste de Alepo encurralando os cerca de 275 mil civis que continuam presos na zona, as forças sírias lançaram uma grande ofensiva para recuperarem a o controlo da cidade. Quase um mês depois, a 18 de outubro, o regime sírio e o seu aliado russo suspenderam os ataques para permitir aos rebeldes e aos civis abandonarem a cidade, mas não só não foram criadas condições para que pudessem fugir como a maioria dos rebeldes recusou-se a aceitar a proposta e a abandonar Alepo.