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América: complica-se a transição de poderes

Jared Kushner (à esquerda) com Stephen Bannon

MIKE SEGAR/ Reuters

Suspeitas de racismo, “purgas estalinistas”, nepotismo e conflitos de interesses atrapalham a constituição do executivo de Trump. Como se não bastasse, o diretor da NSA diz que a Rússia pirateou as eleições

A possível nomeação do senador republicano Jeff Sessions para Procurador Geral ou para a pasta da Defesa poderá ser mais um entrave à constituição da máquina da futura Administração Trump. Máquina que está longe de estar bem oleada, dado que a inesperada vitória poderá ter atrasado o trabalho de casa dos republicanos.

Isto porque Sessions, o primeiro senador a apoiar Trump tem um passado considerado racista por muitos procuradores norte-americanos. A notícia foi adiantada pelo New York Times e dá conta de depoimentos feitos perante o Congresso por investigadores do Departamento de Justiça. O caso remonta aos anos 1980 ainda Sessions era um jovem Procurador no Estado do Alabama.

Segundo o referido jornal, Sessions chegou a considerar a União Americana para as Liberdades Civis e a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor como “não americanas” por “nos tentarem enfiar os direitos civis pela boca abaixo".

Já no Senado, Jeff Sessions destacou-se na defesa do reforço da fiscalização da imigração. Um tema em que Trump assentou a sua campanha, com a promessa de construção de um muro na fronteira do México. Uma questão polémica, que ainda esta semana ganhou novos contornos, quando Kris Kobash, secretário de Estado do Arkansas disse à Reuters que há um grupo de trabalho sobre a construção do muro que vai também propor a Donald Trump a reativação do registo de imigrantes de países maioritariamente muçulmanos.

Um genro de peso

Jared Kushner, marido de Ivanka, a filha mais velha de Trump, ganhou um peso político desmedido em pouco mais de uma semana ao ser responsável pela demissões de três colaboradores próximos do sogro. A primeira cabeça a rolar foi a de Chris Christie, o governador de New Jersey, que tinha a seu cargo a liderança da equipa de transição para a nova administração. Seguiu-se o afastamento de Michel Rogers, conselheiro de Trump para a transição, e de Matthew Freedmann. Rogers terá sido forçado a sair numa “purga ao estilo de Estaline” e, segundo o NYT, Freedmann terá sido outra vítima. Apesar da explicação oficial para a saída de Rogers ter sido o alegado envolvimento num escândalo de obras públicas, soube- se esta semana que Kushner não terá perdoado o facto de Rogers enquanto procurador-geral ter condenado o seu pai a prisão por fraude fiscal.

O amigo russo

O chefe de defesa cibernética da Agência Nacional de Segurança, almirante Michael Rogers não poupou palavras quanto ao apoio dado pela Rússia à campanha de Donald Trump. Numa conferência organizada pelo Wall Street Journal na terça-feira, o responsável da NSA disse que a divulgação feita pela Wikileaks dos mails trocados entre o Conselho Nacional Democrata e a campanha de Hillary Clinton “foi coordenada com um Estado-nação”. Com um tom pouco habitual para um membro dos serviços secretos salientou que a fuga da Wikileaks “não foi feita por acaso. Foi um esforço consciente de um estado-nação para atingir um fim específico”.

O responsável da NSA veio dar força às sugestões já feitas por vários responsáveis de segurança interna e externa dos EUA de que a Moscovo terá interferido nas eleições presidenciais. Uma acusação feita logo em outubro pela campanha de Hillary Clinton quando o caso foi divulgado. As declarações do chefe da NSA vieram engrossar o coro de críticas a Trump, que durante a sua campanha eleitoral não poupou elogios à “liderança forte” de Vladimir Putin.

A questão dos ciberataques russos aos Estados Unidos – cuja resposta ambos os países afirmam que pode ser por meios convencionais – ganhou hoje, quinta-feira, novo destaque na imprensa internacional por causa da demissão do diretor dos Serviço Secretos dos EUA, James Clapper.

“Não espero qualquer mudança significativa no comportamento da Rússia” quando Donald Trump assumir a presidência, disse hoje Clapper quando apresentou a sua demissão perante o Senado. Uma decisão vista como uma baixa de peso por muitos analistas num momemto em que o presidente recém-eleito ainda não decidiu as linhas mestras da sua política de segurança.