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A filha não queria, mas Le Pen pai vai continuar a ser presidente honorário do partido

CHRISTIAN HARTMANN/ REUTERS

Líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, expulsou o pai, fundador do partido, no ano passado

Jean-Marie Le Pen, o pai da líder da Frente Nacional francesa, Marine Le Pen, vai continuar como presidente honorário do partido, apesar de a filha o ter expulsado no ano passado por comentários simpatizantes ao Holocausto.

A decisão foi de um tribunal francês, que ordenou também que Le Pen pai, hoje com 88 anos, continue a ir a todas as reuniões do partido, sob pena de terem de pagar uma multa de dois mil euros de cada vez que não o convidarem, disse o advogado Frederic Joachim, citado pela Reuters.

O tribunal ordenou ainda que a Frente Nacional tem de pagar 15 mil euros ao fundador do partido por o ter impedido de desempenhar as suas funções no último ano, avança o Telegraph.

Os atritos entre pai e filha começaram no ano passado depois de Le Pen pai ter dito que as câmaras de gás dos campos de concentração Nazi eram um "detalhe" na História. Marine, que tem tentado suavizar o partido apesar das suas convicções anti-imigração e antimuçulmanos, por exemplo, não gostou e expulsou o pai do partido.

Ainda assim, quando Trump ganhou as eleições, Jean-Marie congratulou-se com a vitória e até a viu como um sinal de que a filha poderia mesmo chegar a presidente da França, nas eleições de abril e maio do próximo ano. Uma opinião que também Marine já tinha partilhado.

"Hoje os EUA, amanhã a França. Bravo América", disse Le Pen pai no Twitter no dia a seguir à eleição. Mas acrescentou depois que a vitória de Trump é a prova de que não é necessário suavizar o partido.

Segundo o The Telegraph, também o atual primeiro-ministro francês, Manuel Valls, considera que existe uma forte possibilidade de Marine Le Pen chegar à segunda volta, dado que todas as sondagens o indicam.

Além disso, o partido de extrema-direita tem ganho cada vez mais popularidade nos últimos anos, principalmente depois dos atentados à revista satírica Charlie Hébdo e dos ataques de 13 de novembro, na sala de espetáculos Bataclan e em vários restaurantes de Paris.

Em 2002, Le Pen pai conseguiu ir à segunda volta das eleições presidenciais.