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Suécia reabre investigação ao homicídio do primeiro-ministro Olof Palme há 30 anos

Olof Palme foi primeiro-ministro da Suécia entre 1969 e 1976 e novamente entre 1982 e 1986

Getty Images

Exemplo maior da social democracia escandinava, Palme foi morto a tiro a 28 de fevereiro de 1986 à saída de uma sala de cinema de Estocolmo, num ataque que na altura foi reivindicado por 134 pessoas diferentes

As autoridades suecas anunciaram esta quarta-feira a reabertura do inquérito ao homicídio de Olof Palme, que foi primeiro-ministro da Suécia entre 1969 e 1976 e novamente entre 1982 até à data da sua morte em 1986. A investigação será conduzida pelo procurador-geral de Estocolmo, Krister Petersson.

O carimástico líder, símbolo maior da social democracia escandinava que foi um dos maiores defensores da conciliação entre uma economia de mercado e o Estado social, foi abatido a tiro quando abandonava uma sala de cinema com a sua mulher a 28 de fevereiro de 1986. Na altura cerca de 10 mil pessoas foram interrogadas pelas autoridades, com 134 a dizerem que tinham sido elas a matá-lo. De acordo com a BBC, os ficheiros relacionados com o caso Palme correspondem a 250 metros de papelada amontoada.

O investigador a cargo da nova investigação, que deverá começar em fevereiro, foi responsável pelo inquérito ao homicídio da ministra dos Negócios Estrangeiros Anna Lindh, em 2003. A imprensa sueca cita Petersson a dizer que está otimista quanto ao homicídio por resolver há 30 anos. "Sinto-me honrado e aceitei a missão com grande energia", disse em comunicado. "É uma tarefa interessante e importante."

O currículo do procurador de Estocolmo inclui ainda o julgamento de John Ausonius, que nos anos 1990 matou a tiro 11 imigrantes, alguns deles com recurso a uma arma com laser que lhe valeu a alcunha de "homem do laser".

Líder do Partido Social Democrata sueco entre 1969 e a data da sua morte, Palme tornou-se um popular líder da Suécia, gozando nos vários mandatos de uma economia forte e de elevados níveis de apoio social. A nível externo, o antigo primeiro-ministro ficou conhecido pela sua forte oposição ao regime de apartheid na África do Sul e à Guerra do Vietname, que lhe valeu alguns conflitos com os Estados Unidos.

Christer Pettersson, um toxicodependente que foi o principal suspeito do homicídio de Palme, foi preso, julgado e condenado em 1988, apesar de nunca ter ido encontrada a Magnum de calibre 357 que foi usada no crime. A sentença de prisão perpétua a que foi condenado seria mais tarde anulada pelo Tribunal de Recurso de Svea.