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Sarkozy de novo acusado de receber financiamento líbio

PATRICK HERTZOG / AFP / Getty Images

Um empresário franco-líbio diz ter entregue ao ex-Presidente francês três malas com dinheiro, cerca de cinco milhões de euros no total, na campanha de 2007. De novo na corrida ao Eliseu e em vésperas da primeira ronda de eleições primárias, Sarkozy nega

Em contagem decrescente para a primeira ronda de eleições primárias, com vista à escolha do candidato presidencial da direita francesa em 2017, o antigo Presidente francês Nicolas Sarkozy – de novo na corrida ao Palácio do Eliseu – volta a ser acusado de ter recebido dinheiro da Líbia para financiar a campanha, em 2007.

Em novas revelações, publicadas pelo site informativo Mediapart, o empresário franco-libanês Ziad Takieddine diz ter transportado (e entregue) a Sarkozy mais de cinco milhões de euros em dinheiro vivo, vindo da Líbia. Segundo Takieddine, a quantia foi distribuída em três entregas e transportada em três malas de viagem, entre novembro de 2006 e o início de 2007.

Na entrevista, o empresário detalha que o dinheiro lhe foi entregue em Tripoli pelo chefe do serviço secreto líbio sob o regime de Muammar Kadhafi. Por sua vez, ele deixou-as no escritório de Claude Guéant, o ex-braço direito de Nicolas Sarkozy, então ministro do Interior, e da terceira vez, num apartamento onde o ex-Presidente estava hospedado.

Tal como aconteceu quando surgiram as primeiras suspeitas sobre o financiamento da sua campanha presidencial, Sarkozy voltou a negar as acusações. “Mais uma vez, e sempre antes de uma eleição, o Mediapart está a tentar prejudicar Nicolas Sarkozy com alegações tão falsas hoje quanto eram antes”, declarou à Reuters o advogado do ex-Presidente, Thierry Herzog.

Após três anos de investigações, ao longo dos quais foram ouvidos vários ex-altos funcionários do regime líbio, os juízes franceses não recolheram até agora nenhuma evidência que confirme as alegações. A entrevista de Ziad Takieddine pode, no entanto, influenciar o resultado das primárias, que se realizam este domingo, fazendo diminuir ainda mais o apoio ao ex-Presidente, que não lidera as intenções de voto desde junho.