Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Obama despede-se da Europa promovendo a continuidade das relações transatlânticas

Barack Obama visita a Acrópole

KEVIN LAMARQUE / REUTERS

Três dias em solo europeu sob a sombra da nova administração que se anuncia, mas firmando as políticas comuns

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Da Grécia, esta quarta-feira, para a Alemanha a última viagem pela Europa de Barack Obama enquanto Presidente dos EUA procurará acalmar os ânimos no velho continente relativamente ao seu sucessor na Casa Branca. Depois de ter passado os últimos meses a denunciar as razões pelas quais Donald Trump era inadequado para presidir aos EUA, Obama terá agora de dizer que “não será tão mau como se temia”, escrevia o diário “The Guardian” na segunda-feira.

O grau de convicção do Presidente será denunciado pela expressão que deixar transparecer na reunião de Berlim, uma mini-cimeira em que encontrará, na sexta-feira, os líderes da Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Espanha.
Atenas, onde manifestações anti-Obama provocaram distúrbios, obrigando à intervenção da polícia de choque, conta com a colaboração de Obama para pressionar os parceiros europeus e convencer a Alemanha a aligeirar a dívida grega, como sempre fez até agora, reporta o “Euractiv”.

Na ocasião, Obama - o primeiro Presidente norte-americano a visitar a Grécia em 17 anos - declarou ao diário grego “Kathimerini” apoiar “uma redução significativa da dívida” grega. O discurso de Obama esta quarta-feira na Acrópole focará a governação democrática e a necessidade de um “crescimento mais inclusivo” face à globalização e as suas desigualdades.

No dia seguinte, Obama viaja para Berlim pela oitava vez em oito anos de presidência. Foi a cidade onde 200 mil berlinenses se lhe renderam quando ele ali prometeu, em 2008, que construiria “novas pontes”. Os tempos não se anunciam dessa tendência agora e a verdade é que vários dossiês pelos quais Barack Obama se bateu estão em vias de ser abandonados, com os acordos de Paris sobre o clima e os acordos comerciais transatlânticos à cabeça.

A chanceler Angela Merkel é vista por esta administração americana como a aliada europeia mais “confiável, ideologicamente compatível e capaz”, a “mais próxima parceira” dos Estados Unidos, cita o “Guardian”. O mesmo jornal chama a atenção num editorial desta quarta-feira para o facto de Barack Obama insistir na continuidade das relações entre a Europa e os EUA, mais do que ceder ao cenário de disrupção anunciado pelas opções já anunciadas pelo Presidente-eleito em 8 de novembro.

As relações com a Rússia, em particular a sua intervenção militar na Síria e Ucrânia, o acordo com o Irão sobre nuclear e as incertezas sobre a NATO fazem parte da agenda do encontro.