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Internacional

FMI alerta que economia angolana estará mais “vulnerável”

Organismo liderado por Christine Lagarde considera que a economia angolana deverá crescer 1,25% no próximo ano, abaixo dos 2,1% previstos pelo Governo

O FMI considerou esta quarta-feira que a previsão dum défice fiscal angolano de 5,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 deixa a economia vulnerável a novas descidas na cotação do petróleo, pressionando a sustentabilidade da dívida pública.

A posição foi assumida pelo economista brasileiro Ricardo Veloso, chefe da missão do FMI que nos últimos 15 dias esteve em Luanda para as reuniões anuais (Artigo IV) com as autoridades angolanas e análise dos principais indicadores da economia nacional, tendo apontando que o Governo deveria "almejar" um défice fiscal não superior a 2,25% do PIB, também tendo em conta os 4% esperados para este ano.

"A dívida pública [de Angola] deverá vir a exceder 70% do PIB no final de 2016, refletindo a desvalorização da taxa de câmbio além do défice fiscal projetado. Um défice fiscal da magnitude projetada no projeto de Orçamento para 2017 iria deixar a economia vulnerável a preços de petróleo inferiores ao projetado e aumentar a preocupação quanto à sustentabilidade da dívida pública", disse Ricardo Velloso.

Apesar de "começar a preocupar", a sustentabilidade da dívida pública "não está em causa", para já, acrescentou o chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nas contas do Governo está inscrito um défice orçamental de 5,8% do PIB no próximo ano, no valor de 1,139 biliões de kwanzas (6,4 mil milhões de euros).

Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise financeira, económica e cambial decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo, que representa mais de 90% das vendas ao exterior.

De acordo com as conclusões apresentadas por Ricardo Velloso, a economia angolana deverá crescer 1,25% no próximo ano, abaixo dos 2,1% previstos pelo Governo, insistindo o Fundo na "ausência de crescimento" em 2016.

Além disso, o FMI aponta para inflação em 2016 (a 12 meses), de 45% - segundo o Instituto Nacional de Estatística de Angola ultrapassou em outubro os 40% -, podendo descer no próximo ano para 20%, tendo em conta "condições monetárias restritivas e um kwanza estável a suportarem a desinflação".

"A médio prazo, as perspetivas são de uma recuperação gradual da atividade económica, embora existam riscos, entre os quais um declínio adicional nos preços do petróleo e atrasos na implementação das reformas necessárias à promoção da diversificação económica", concluiu o chefe da missão do FMI para Angola.

As reuniões o abrigo do Artigo IV decorreram em Luanda entre 03 e 16 de novembro e as conclusões da consulta de 2016 serão discutidas pelo conselho de administração do FMI em janeiro.