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Internacional

Desordem e confusão na equipa de transição de Trump após “purga estalinista” de conselheiros

Jared Kushner é casado com Ivanka Trump há sete anos. Durante a campanha republicana, já era apontado como uma das mais importantes influências do sogro, o agora Presidente eleito Donald Trump

Chip Somodevilla

Presidente eleito defende no Twitter que o processo de seleção do seu gabinete e restante administração está “muito bem organizado”. Imprensa diz que dois membros da equipa foram forçados a sair pelo marido de Ivanka Trump e genro do novo líder, Jared Kushner, que também terá sido responsável pela substituição de Chris Christie por Mike Pence na liderança da equipa

O Presidente eleito dos Estados Unidos defendeu na madrugada desta quarta-feira a forma como está a gerir a transição para a Casa Branca, após os media norte-americanos terem noticiado que o processo está mergulhado em desordem por causa do afastamento de dois conselheiros de segurança nacional da equipa de transição por ele nomeada, no que uma fonte descreve como uma "purga estalinista" de pessoas incómodas.

A primeira substituição aconteceu pouco depois de anunciados os resultados das eleições de 8 de novembro, nas quais Donald Trump derrotou a democrata Hillary Clinton com mais votos no Colégio Eleitoral e menos votos populares. No rescaldo da ida às urnas, e após a confirmação da vitória surpreendente do magnata sem experiência política, foi anunciado que o governador de New Jersey Chris Christie, um dos primeiros membros do Partido Republicano a dar o seu apoio formal a Trump na corrida e que estava a cargo de chefiar a equipa de transição para a Casa Branca, foi substituído ao leme pelo vice-presidente eleito Mike Pence.

O argumento avançado na altura para o afastamento de Christie prendeu-se com o facto de estar envolvido numa série de escândalos de corrupção, o mais famoso deles relacionado com o encerramento de uma ponte do estado que governa, num caso conhecido como Bridgegate. Quatro dias antes das eleições, um juiz de Newark declarou culpados de sete acusações criminais a antiga vice-chefe de gabinete do governador, Bridget Kelly, e o ex-vice-diretor executivo da Autoridade Portuária de Nova Iorque e New Jersey, Bill Baroni, pelo envolvimento de ambos no caso do encerramento da ponte George Washington do lado de New Jersey, na cidade de Fort Lee, em setembro de 2013, que provocou uma enorme paralisação do tráfego como castigo ao autarca democrata de Fort Lee, por se ter recusado a apoiar a recandidatura de Christie ao cargo de governador. Christie não foi indiciado nesse processo.

Esrta terça-feira, contudo, foi avançado que o afastamento de Christie da equipa de transição de Trump, a par da recente expulsão dos republicanos Mike Rogers e Matthew Freedman, estiveram a cargo de Jared Kushner, marido de Ivanka Trump, a filha mais velha do Presidente eleito. Tal veio aumentar a especulação sobre a acrescida influência de Kushner junto do sogro e na nova administração norte-americana, tendo em conta que Christie era procurador-geral de New Jersey quando o pai do genro de Trump foi julgado e condenado em 2004 por evasão fiscal, contribuições financeiras ilegais de campanha e manipulação de testemunhas.

Após Christie ter sido substituído por Mike Pence na liderança da equipa, ontem o ex-congressista Mike Rogers, alto conselheiro de Donald Trump na transição para a Casa Branca que chegou a integrar o Comité de Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, anunciou a saída da mesma equipa sem avançar uma explicação. Uma fonte próxima das negociações diz que também ele foi forçado a sair numa "purga ao estilo de Estaline" que estará a ser orquestrada por Kushner. De acordo com o "New York Times", também Matthew Freedman, membro da equipa de segurança nacional da nova administraçao, foi alvo dessa limpeza.

A imprensa norte-americana diz que Rogers foi afastado por ser um aliado próximo de Chris Christie e que, no caso de Freedman, a expulsão se deveu ao facto de ser protegido por Paul Manafort, diretor de campanha do candidato republicano até agosto, quando apresentou a sua demissão e foi substituído Steven Bannon. O ex-diretor executivo do Breitbart News, um site ligado à chamada "direita alternativa" que defende que o "nacionalismo branco étnico" é uma resposta legítima aos atuais problemas sociais dos EUA, acabou de ser nomeado estratega-chefe da nova administração, uma decisão que tem aumentado o criticismo a Trump pelas visões antissemitas, misóginas e racistas de Bannon. A par disso, o Presidente eleito, responsável por uma das campanhas eleitorais mais populistas de sempre, é criticado por ter integrado na sua equipa três dos seus cinco filhos, frutos do seu primeiro casamento com Ivanka Trump, no que a maioria dos analistas diz ser um óbvio conflito de interesses.

Reagindo às novas acusações, Trump voltou a recorrer ao Twitter esta madrugada para defender que o processo de seleção da sua equipa está a decorrer de forma "muito organizada". "Um processo muito organizado está em curso enquanto escolho o meu gabinete e muitos outros cargos", escreveu na rede social onde conta já com 15 milhões de seguidores. "Sou o único que sabe quem são os finalistas", acrescentou noutro tweet. A tomada de posse de Trump está marcada para 20 de janeiro de 2017.