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Adiado encerramento do maior campo de refugiados do mundo

TONY KARUMBA/ AFP/ Getty Images

Dadaab é o maior campo de refugiados do mundo. Aloja mais de 300,000 somalis e estava previsto fechar até ao final deste mês. No entanto, o Quénia decidiu dar mais tempo para que os migrantes consigam procurar um novo local para viver

Cedendo à pressão internacional, o Governo do Quénia decretou esta quarta-feira a suspensão do desmantelamento do campo de refugiados Dadaab e adiou o seu encerramento, concedendo mais seis meses para que os migrantes somalis possam procurar nova casa. Na visão do Governo, o campo representa um risco para a segurança do país, pois considera que está a ser utilizado por militantes islâmicos da Somália para protagonizarem vários ataques em solo queniano.

Em causa estão vários ataques que têm ocorrido no Quénia pela mão do grupo jiadista Al-Shabaab, sedeado na Somália e com ligações à Al-Qaeda. Em abril, no seguimento de um ataque a uma universidade a 100 quilómetros de distância do campo, o Governo queria o encerramento do campo, que na altura também acabou por ser adiado.

No passado mês de maio, de acordo com a BBC, o ministro do Interior do Quénia, Joseph Nkaisserry, referiu que o seu país estaria a trabalhar de perto com as Nações Unidas e com o Governo da Somália para repatriar os refugiados, esvaziando dessa forma o campo, com vista ao seu encerramento. Acrescentou ainda que essa seria a sua decisão final.

Não obstante, vários grupos de direitos humanos pediram ao Governo queniano que voltasse atrás com a decisão. Com a aproximação da data que tinha inicialmente imposto, os grupos de direitos humanos acusaram o Governo de que estava a forçar os refugiados que tinham fugido da violência e da pobreza a voltar para uma zona de guerra e insegurança, escreve a Reuters. No entanto, o Governo negou esta alegação. O ministro do Interior referiu ainda que a decisão para o adiamento veio no seguimento de um pedido de Filippo Grandi, presidente do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

“O Governo aceitou o pedido para alargar a data limite para a repatriação dos refugiados somalis, um passo essencial para o encerramento do campo de Dadaab em seis meses”, referiu o ministro do Interior, citado pela Reuters.

Um refugiado sénior, investigador para a Human Rights Watch, declarou, citado pela Reuters, que o “Quénia devia acabar com as ameaças de que vai fechar o campo”. Acrescentou ainda que o ACNUR devia pressionar o Quénia para assegurar que os refugiados somalis sejam bem-vindos no país até que seja seguro voltarem para as suas casas.

Segundo números da Reuters, mais de meio milhão de pessoas vivem no campo há já alguns anos.