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Internacional

Trump e Putin já falaram ao telefone

Donald Trump, ao centro, pintado numa matriosca, numa loja do centro de Moscovo

© Sergei Karpukhin / Reuters

O líder russo e o Presidente eleito dos Estados Unidos conversaram na segunda-feira. Estão “insatisfeitos” com a relação bilateral atual e querem retomar uma “cooperação pragmática”

Margarida Mota

Jornalista

Donald Trump e Vladimir Putin tiveram, na segunda-feira, a sua primeira conversa telefónica, confirmaram o Kremlin e a equipa de transição do Presidente eleito dos Estados Unidos da América. Segundo um comunicado do gabinete do Presidente russo, Putin e Trump concordaram que a presente relação bilateral entre os dois países é “absolutamente insatisfatória” e expressaram o desejo de trabalharem em conjunto no sentido da sua “normalização”.

Segundo Moscovo, a chamada telefónica foi realizada “por acordo mútuo”. Vladimir Putin expressou a sua disponibilidade para desenvolver um diálogo entre parceiros com a nova Administração “numa base de igualdade, respeito mútuo e não interferência nos assuntos internos de cada um”.

o curto comunicado da equipa de transição de Donald Trump refere que Putin telefonou “para felicitar [Trump] pela vitória numa eleição histórica” e que foram discutidas “uma série de questões, incluindo as ameaças e desafios que os EUA e a Rússia enfrentam, questões económicas estratégicas e o relacionamento histórico” entre os dois países.

Regresso ao passado

Em 2017, passam 210 anos sobre o estabelecimento de relações diplomáticas entre russos e americanos, “o que, em si, deverá encorajar o regresso a uma cooperação pragmática, mutuamente benéfica, no interesse de ambos, assim como da estabilidade e segurança globais”, lê-se no comunicado russo.

Os dois líderes referiram ainda a necessidade de esforços conjuntos “na luta contra o inimigo comum n.º 1 — o terrorismo internacional e o extremismo. Neste contexto, discutiram assuntos relacionados com a solução da crise na Síria”, onde estão em lados opostos da barricada: Moscovo é o mais forte aliado do Presidente Bashar al-Assad e Washington apoia grupos rebeldes.

A relação EUA-Rússia degradou-se acentuadamente na sequência da crise na Ucrânia e da guerra na Síria. Durante a campanha para as presidenciais norte-americanas, Washington acusou Moscovo de pirataria informática com o objetivo de “interferir no processo eleitoral dos EUA”, debilitando a candidatura da democrata Hillary Clinton.