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Ministro russo da Economia detido e acusado de suborno

GettyImages

Alexy Uliukaiev foi formalmente acusado de “extorsão de luvas”, no valor de dois milhões de dólares, poucas horas após a sua detenção por agentes dos serviços secretos

O ministro russo da Economia, Alexy Uliukaiev, foi acusado de "extorsão de luvas", escassas horas após a sua detenção durante a noite por agentes dos serviços secretos, anunciou esta terça-feira a Comissão de Inquérito russa.

De acordo com a investigação, Uliukaiev, 60 anos e ministro desde 2013, "exigiu da administração da Rosneft" - o gigante petrolífero russo - uma comissão de dois milhões de dólares (mais de 1,8 milhões de euros) em troca da "luz verde" para a aquisição pela petrolífera da maioria do capital da companhia pública de energia Bashneft no mês passado.

Ainda de acordo com a nota da Comissão de Inquérito, encarregada das investigações criminais mais mediáticas na Rússia, o ministro "ameaçou usar os poderes inerentes às suas funções para colocar obstáculos às atividades da companhia", se esta não lhe pagasse o suborno.

A administração da Rosneft contactou então as autoridades, que interpelaram o ministro na noite da passada segunda-feira.

Uliukaiev, que deverá ser hoje presente a um juiz, foi detido pouco antes da meia noite de segunda-feira, numa operação levada a cabo pela FSB (ex-KGB).

O ministro, uma das figuras-chave do Governo do Presidente Vladimir Putin na atual conjuntura de recessão económica que o país atravessa, arrisca uma pena de 8 a 15 anos de prisão.

Uliukaiev começou por opor-se publicamente à venda de metade do capital da Bashneft à Rosneft, a maior venda de ativos realizada este ano pelo Estado russo, a braços com um orçamento muito depauperado pela queda dos preços do petróleo.

O ministro da Economia não foi o único no seio do Governo russo a ver com maus olhos a operação. Porém, após um volte-face no Kremlin, foi obrigado a vergar-se e a montar em tempo recorde uma transação de cerca de cinco mil milhões de dólares (4,64 mil milhões de euros), o que foi interpretado como uma vitória do patrão da Rosneft, Igor Sechin.

Sechin, próximo de Vladimir Putin, tão discreto quanto influente, é considerado como um dos líderes dos "siloviki", os vários responsáveis da administração e grandes empresas russas provenientes, como o Presidente, dos serviços secretos, forças armadas ou da polícia.