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A América de Trump, em 39 minutos

Scott Olson/Getty Images

Passa esta terça-feira, na “Edição da Noite” da SIC Notícias, a primeira entrevista – em versão integral e legendada em português – ao Presidente eleito dos EUA Donald Trump. A figura mais controversa que alguma vez chegou à Casa Branca falou ao programa “60 Minutes” da CBS, reafirmando a sua intenção de construir um muro na fronteira mexicana e deportar até três milhões de pessoas

Na sua primeira entrevista como Presidente eleito dos Estados Unidos, à cadeia de televisão CBS, Donald Trump recuperou alguns temas quentes da sua campanha eleitoral, como a intenção de construir um muro na fronteira entre os EUA e o México.

Durante quase 40 minutos de entrevista ao programa “60 Minutes” - em que Trump esteve, em alguns momentos, acompanhado pela família - o próximo residente da Casa Branca foi confrontado com várias questões polémicas sobre o que para ele significa “Tornar a América grande outra vez”.

A imagem que o futuro Presidente dos EUA tentou passar, neste primeiro cara a cara depois da sua eleição, foi a de um homem que não teme a grande tarefa que o espera quando tomar o seu lugar na Sala Oval. Trump deixou de lado a retórica agressiva assumida durante os meses de campanha, elogiou o Presidente Barack Obama, e qualificou de “agradável” a chamada telefónica que recebeu de Hillary Clinton logo após a vitória nas eleições. Sobre o combate ao Daesh, foi tão evasivo quanto poderia ser. A América e o mundo terão de esperar para conhecer os planos do futuro Presidente para a região do Médio Oriente.

A pouco mais de dois meses da sua entrada na Casa Branca, seguem-se cinco dos tópicos mais escaldantes abordados durante a entrevista, e que podem ajudar a fazer luz sobre as ações futuras de Trump enquanto Presidente.

Um muro e uma vedação, ou um pouco dos dois

Foi provavelmente uma das suas declarações mais polémicas, que nunca largou durante a campanha eleitoral: construir um muro na fronteira entre os EUA e o México. Com o México a pagar, claro! Do país vizinho, a resposta chegou horas depois da vitória de Trump : “O Governo do México foi claro e frisou que pagar por um muro está fora dos nossos planos”, disse a ministra dos Negócios Estrangeiros, Claudia Ruiz Massieu.

Trump, por seu lado, não parece preocupado com quem pagará a conta, reiterando a sua intenção de seguir em frente com o seu plano.

“Sou muito bom nisto da construção”, afirmou à jornalista Lesley Stahl, que continuou: “No Congresso Republicano também se fala numa vedação. Estaria disposto a aceitar isso?” “Para algumas zonas sim, noutras um muro será mais apropriado”, respondeu Trump.

Deportações e detenções

Trump quer fazer desta promessa eleitoral uma das três prioridades da sua presidência. Assim que tomar posse, planeia deportar até três milhões de pessoas, “criminosos e cadastrados, membros de gangues e traficantes de droga”.

“Temos muitas pessoas nestas condições e vamos expulsá-las do nosso país, ou mandar prendê-las”, declarou.

As restantes prioridades da nova Administração serão, segundo Trump, a simplificação e redução de impostos, e a assistência médica.

Fim do “Obamacare”

Sobre o novo sistema de saúde, Trump pouco revelou, apenas que será “excelente e custará muito menos dinheiro”, enquanto procurou sossegar os americanos que atualmente beneficiam do sistema de comparticipação “Obamacare” de que poderão continuar a ser abrangidos por este plano de saúde. Prometeu também que tentará assegurar a proteção das “crianças que vivem com os seus pais durante um período prolongado” (atualmente jovens até aos 26 anos podem beneficiar do plano de saúde dos pais).

O Presidente eleito assegurou que nenhum americano ficará sem acesso a cuidados de saúde durante o período de reestruturação.

“O processo será feito em simultâneo. E vai correr bem. Será revogado e substituído. E será um excelente plano de saúde por muito menos dinheiro. Vamos ter melhores cuidados de saúde, muito melhores, por menos dinheiro. Não é uma má combinação”, assegurou Trump.

Aborto nunca mais… ou não será bem assim

Durante a campanha, Trump afirmou que caso fosse eleito nomearia juízes que são contra o direito à prática do aborto e confirmou-o nesta entrevista. “Sou pró-vida. Os juízes serão pró-vida.”

Sobre a lei que concede às mulheres o direito de abortar, Trump foi menos claro, dizendo apenas que caso aquela seja revertida “caberá a cada estado decidir”. E se uma mulher quiser mesmo fazê-lo? “Terá de ir a outro estado”, respondeu Trump.

Ataques raciais e sobre minorias

A culpa destes ataques é… da imprensa. Foi isto mesmo que Trump respondeu quando questionado sobre o medo sentido pelos negros e muçulmanos na América.

“É horrível que isto esteja a acontecer. Mas penso que é tudo uma criação da imprensa. Vão pegar em cada pequeno incidente e transformá-lo num acontecimento”, afirmou.

Trump disse que “foi um apoiante” dos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Trangéneros), quando questionado sobre os receios desta comunidade. “E apoia a igualdade no casamento?”, perguntou-lhe Stahl. “Isso é irrelevante”, retorquiu Trump.

Os atos de violência conduzidos em seu nome ou por apoiantes seus, “entristecem” o Presidente eleito, que afirmou não ter conhecimento dos mesmos. Assim mesmo, apelou perante as câmaras: “Parem com isso!” E prometeu que vai unir o país.