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Internacional

Reator responsável pelo desastre de Chernobyl já está a ser selado

Uma cobertura gigante de aço foi construída com o objetivo de tapar o reator no qual ocorreu o acidente nuclear de 1986. 30 anos depois ainda não passou o perigo de que possa ocorrer uma nova catástrofe e daí a necessidade de que haja uma proteção para prevenir a libertação de material radioativo, durante o próximo século

Uma estrutura gigante em forma de arco começou esta segunda-feira a ser colocada como cobertura do reator quatro na central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. Tem como objetivo cobrir o lixo radiativo do acidente nuclear e, desta forma, proteger gerações futuras de uma nova tragédia.

O “novo confinamento de segurança” teve de ser construído ao lado do reator e não no local definitivo porque a radiação na zona superior ainda é muito intensa, escreve a BBC. Começou nesta segunda a ser transportado, usando um sistema de macacos hidráulicos – uma operação que vai durar cerca de cinco dias até que se encontre na sua posição final. Posteriormente, começará o trabalho de desmantelamento do reator.

O Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento, o principal patrocinador do projeto, deverá concluir a instalação no próximo dia 29, representando um custo total de 1,5 mil milhões de euros. Segundo esta instituição, o arco é "um dos projetos mais ambiciosos da história da engenharia" e a “maior estrutura móvel com base em terra já construída”. Tem 275 metros de extensão e uma altura de 108 metros.

"O início da colocação do arco sobre o reator quatro na central nuclear de Chernobyl é o princípio do fim de uma luta de 30 anos com as consequências do desastre de 1986", disse o ministro do Ambiente ucraniano, Ostap Semerak.

O reator número quatro explodiu no dia 26 de abril de 1986, durante uma verificação de segurança que correu muito mal, e o acidente foi ocultado pelas autoridades do Kremlin durante semanas. Atualmente está protegido por um sarcófago de cimento que foi construído por trabalhadores de socorro russos e que está em perigo de permitir fugas de desperdícios tóxicos.

Pelo menos 30 pessoas morreram no local do acidente, na Ucrânia que à data fazia parte da república soviética. É considerado o maior acidente causado pelo Homem, provocando a morte a milhares de pessoas devido à radiação, que atingiu vastas áreas da zona ocidental da antiga União Soviética, incluindo a Rússia, a Bielorrússia e o Norte da Europa.

O número total de pessoas que morreram devido ao acidente não foi calculado. Um estudo das Nações Unidas de 2005 refere que menos de 50 pessoas morreram no resultado direto da exposição à radiação, sendo a maior parte eram trabalhadores da central nuclear, mas estima que nove mil pessoas possam eventualmente morrer devido à exposição à radiação. No entanto, a Greenpeace alerta que este número pode ser de 93 mil.