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Coligação nomeia Steinmeier como novo Presidente da Alemanha

YVES HERMAN / REUTERS

A 12 de fevereiro, Steinmeier sucederá a Joachim Gauck na Presidência alemã, um cargo que é eminentemente honorário

Termina o impasse político sobre a escolha do próximo Presidente da Alemanha. Frank-Walter Steinmeier, que atualmente desempenha o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, foi o escolhido pela coligação governamental alemã, com os votos do Partido Social-Democrata (SPD), da União Democrata-Cristã (CDU) e da União Democrata-Cristã da Baviera (CSU).

Steinmeier foi a proposta do SPD, partido minoritário da coligação. De acordo com a Reuters, a Chanceler alemã Angela Merkel tencionava avançar com um candidato do seu próprio partido, a União Democrata-Cristã (CDU). No entanto, para evitar “uma longa luta” com os sociais-democratas, como escreve a Reuters, e na impossibilidade de convencer uma personalidade conservadora a avançar para o cargo, Merkel aceitou o candidato do SPD. O ministro configurava ainda a opção com mais apoio por parte da opinião pública alemã.

Na Alemanha, a escolha do Presidente é feita numa sessão especial da Assembleia Federal, câmara mista composta por deputados da Bundestag (câmara baixa do parlamento) e representantes dos estados federados ("Länder") e não por voto da população.

Com 60 anos, Steinmeier irá substituir o atual Presidente, Joachim Gauck, cujo mandato de cinco anos termina em fevereiro. Gauck, de 76 anos, anunciou há meses a intenção de não se candidatar a um segundo mandato dada a idade avançada.

Conhecido pela frontalidade, Steinmeier criticou publicamente Donald Trump em várias ocasiões durante a campanha presidencial, tendo-lhe chamado nomeadamente "pregador de ódio", mas foi especialmente duro após a eleição, quando disse esperar "tempos mais difíceis" no plano internacional. Merkel mostrou-se ciente dessas posições, afirmando, ao anunciar a designação, que esta é "um sinal positivo e importante" num "tempo de agitação e instabilidade no mundo".

Licenciado em Direito, Steinmeier entrou na política pela mão do seu mentor, o ex-chanceler Gerhard Schroeder, de quem foi chefe de gabinete. Depois de uma primeira passagem pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, entre 2005 e 2009, candidatou-se como líder do SPD nas legislativas de 2009, mas sofreu uma pesada derrota, obtendo o pior resultado da história do SPD. Em 2010 granjeou grande respeito popular ao afastar-se por algumas semanas da política para doar um rim à mulher, Elke Buedenbender, juíza num tribunal administrativo de Berlim.

Frank-Walter Steinmeier é ministro dos Negócios Estrangeiros de Angela Merkel desde 2013. Segundo a imprensa alemã, pode ser substituído no cargo pelo presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.