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Protestos contra Trump intensificam-se nos EUA e chegam à Europa e ao México. Obama pede contenção

MARK MAKELA/REUTERS

A noite de sexta-feira foi agitada em Portland, com montras e carros destruídos. E este sábado, as manifestações continuaram em Nova Iorque e Los Angeles. Na Europa, Berlim saiu à rua para protestar contra o muro de Trump

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Os protestos contra a eleição de Donald Trump como novo presidente dos EUA estão a intensificar-se em vada vez mais cidades norte-americanas, e este sábado chegaram mesmo ao México e à Europa, mais precisamente a Berlim.

Até sexta-feira, o New York Times contava manifestações em 37 cidades norte-americanas desde quarta-feira, 9 de novembro, ou seja, o dia a seguir às eleições. Era o caso de Nova Iorque, Los Angeles, Miami, Filadélfia, San Diego, Oakland, Salt Lake City, Chiacago, Portland, Washington, Kansas City ou Indianapolis.

E este sábado, pelo quarto-dia consecutivo, os protestos continuaram, principalmente em Nova Iorque e Los Angeles.

Em Nova Iorque, diz o The Guardian, estima-se que cerca de 10 mil pessoas tenham subido a 5ª Avenida desde a Union Square, na baixa de Manhattan, até à Trump Tower, o edifício onde vive e trabalha Donald Trump. E em Los Angeles (na foto em baixo), terão sido cerca de seis mil pessoas a juntar-se no parque MacArthur e a descer até à baixa da cidade a pé.

MIKE NELSON/EPA

Não foi, portanto, por acaso que o ainda presidente dos EUA, Barack Obama, tenha aproveitado o seu discurso semanal, neste caso para assinalar o Dia dos Veteranos, para apelar à reconciliação de todos os norte-americanos.

“O instinto dos americanos nunca foi o de procurar o isolamento, mas sim o de procurar a força numa opinião comum. O de procurar a unidade no meio da nossa grande diversidade. E de manter essa força e unidade mesmo quando é difícil. E quando as eleições acabarem e procuremos formas de nos unirmos e de nos ligarmos de novo aos princípios que são mais duradouros que políticas transitórias", disse.

Protestos no México e em Berlim

Além de Nova Iorque e Los Angeles, este sábado ficou marcado por manifestações fora dos EUA. Na Cidade do México, um pequeno grupo de pessoas juntou-se ao monumento à independência empunhando cartazes onde se podiam ler frases como "Alto a las deportaciones" (Parem as deportações).

E em Berlim, na Alemanha, (na foto) cerca de meio milhar de pessoas concentraram-se junto à embaixada norte-americana, protestando principalmente contra o muro que Trump disse querer fazer na fronteira com o México.

AXEL SCHMIDT/REUTERS

Manifestações pacíficas

A maioria das manifestações que ocorreram nos últimos quatro dias foram pacíficas e sem qualquer intervenção policial, mas houve algumas excepções.

A situação mais complicada até agora registou-se em Portland, no estado do Oregon, na sexta-feira à noite, já madrugada em Portugal. Cerca de quatro mil pessoas juntaram-se numa marcha pacífica, mas depressa se tornou violenta com os manifestantes a partir montras de lojas e vidros de carros e a atirar objetos à polícia. Esta passou então a classificar o protesto como motim e lançou gás lacrimonégio e balas de borracha para dispersar os manifestantes e prendeu cerca de 26 pessoas.

Foi também aqui que um homem ficou ferido com um tiro, mas segundo a Reuters, as autoridades suspeitam que este evento esteja relacionado com gangs e não com os protestos contra Trump.

Ainda na sexta-feira, foi registada violência em Oakland e Los Angeles, ambas no estado da Califórnia, um dos que mais tem protestado contra a eleição de Trump. Em Oakland, cerca de mil pessoas a juntaram-se nas ruas, partiram montras e atiraram cocktails Molotov e garrafas à polícia. Aliás, segundo notícia a CNN, 11 pessoas terão sido presas, incluindo uma que tinha sete cocktails Molotov. Já em Los Angeles, logo na noite de quinta para sexta, foram presas cerca de 185 pessoas.

Em Miami, apesar de se terem juntado cerca de três mil pessoas nas ruas, avança a Lusa, citando agências internacionais, não houve quaisquer confrontos, apenas estradas bloqueadas. E o mesmo se passou, até agora, em Filadélfia, onde há já três dias que vários grupos de manifestantes marcham pelas ruas entoando palavras de ordem como "Not my president" (Não é o meu presidente). Palavras que aliás, são comuns em todas as cidades onde tem havido estas concentrações contra Donald Trump.

E em San Diego (na foto), a comunicade latina saiu em força, empenhando cartazes luminosos que diziam "Fuera Trump" (Fora Trump).

SANDY HUFFAKER/REUTERS

Trump já comentou protestos

Foi através do Twitter que o presidente eleito Donald Trump se pronunciou acerca das manifestações que têm estado a ocorrer por todo o país desde quarta-feira, o dia a seguir às eleições.

Na sexta-feira, Trump escreveu: "Tive uma eleição presidencial aberta e triunfante. Agora, manifestantes profissionais, instigados pelos media, estão a protestar. Muito injusto".

Mas horas mais tarde, ainda no mesmo dia, fez um outro tweet onde aligeirava o discurso e escrevia: "Adoro que estes pequenos grupos de protestantes mostrem paixão pelo nosso grande país. Juntos venceremos com orgulho!".

E este sábado voltou a mencionar o tema, esrevendo: "Isto ainda vai ser um grande momento nas vidas de TODOS os Americanos. Vamos unir-nos e vamos vencer, vencer, vencer".

Apesar dos manifestações nos EUA, México e Alemanha, e de alguns protestos mais silenciosos como o dos cartazes em Lisboa, há países que decidiram mostrar o seu apreço por Trump e pelo facto de ter ganho as eleições nos EUA.

Um deles foi Israel onde foram colocados cartazes onde se lia "Trump make Israel great again" (Trump, torna Israel grande de novo), numa clara alusão ao slogan da sua camanha - "Make America great again" (Vamos tornar a América grande de novo).

A justificar estes cartazes estará o facto de, numa entrevista ao Wall Street Journal, Trump ter dito que o conflito entre Israel e a Palestina é a guerra sem fim e que, sendo ele um homem de negócios, gostaria de chegar ao acordo impossível.

Declarações que terão sido muito bem vistas pelo primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, um dos primeiros a dar os parabéns a Donald Trump pela sua eleição como 45º presidente dos EUA.

JIM HOLLANDER