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Internacional

Turquia apela a ex-pilotos da Força Aérea que regressem, para substituir os 350 já expulsos este ano

ADEM ALTAN/GETTY

São ainda efeitos da purga maciça que o governo do presidente Erdogan tem vindo a conduzir desde julho

Luís M. Faria

Jornalista

A Turquia está a pedir a pilotos que deixaram a Força Aérea nos últimos anos – mais precisamente, que foram obrigados a deixá-la – para regressarem ao serviço. O apelo tem a ver com a falta de pessoal em resultado da purga maciça que o Presidente Erdogan tem vindo a conduzir no país desde o falhado golpe de estado em julho passado.

Uma das áreas onde a purga tem sido mais intensa é justamente a Força Aérea, dado o papel proeminente que esse ramo militar teve no golpe. Entre outras ações, aviões dos revoltosos ameaçaram o aparelho em que o presidente regressava a Istambul.

Cerca de 350 pilotos foram afastados desde então. Muitos encontram-se presos ou em fuga. Para preencher as carências geradas, o governo quer recorrer aos pilotos que saíram do serviço entre 2010 e 2015; ou seja, os anos em que a Força Aérea estava sob influência do movimento gulenista, a quem Erdogan atribui responsabilidade pelo golpe. Terá sido para abrir lugar a gulenistas que foram então afastados, com pretextos espúrios (de saúde e outros), muitos dos pilotos a quem se dirige o apelo agora feito.

Apenas meia dúzia deles responderam positivamente. Os outros continuam magoados por o governo não os ter defendido na altura em que era preciso. Conforme um antigo major explicou: “Pilotar um F-16 foi uma honra para mim, da qual fui injustamente privado. Sinto-me traído. Porque havia de regressar?”.

Na aviação privada, pilotos como ele podem ganhar bastante mais do que os cerca de três mil euros que recebiam na Força Aérea. Embora o governo tenha concebido um esquema para lhes permitir regressar de forma temporária, voltando a seguir para o sector privado, a vasta maioria deles parecem não estar interessados.