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Promessa de proibir entrada de muçulmanos nos EUA desaparece do site de Trump

JEWEL SAMAD

Proposta publicada a 7 de dezembro de 2015 gerou enorme controvérsia durante a campanha eleitoral, dentro e fora do país

Um comunicado da campanha presidencial de Donald Trump em que o candidato republicano prometia banir totalmente a imigração de muçulmanos para os Estados Unidos caso fosse eleito desapareceu do seu website, noticia esta quinta-feira a ABC News.

Nessa publicação datada de 7 de dezembro de 2015, lia-se que "Donald J. Trump quer uma total e completa proibição da entrada de muçulmanos nos Estados Unidos até que os representantes do nosso país consigam perceber o que está a acontecer", sob o argumento de que, "de acordo com o Pew Research Center, entre outros, existe um enorme ódio contra os americanos por largos segmentos da população muçulmana".

No mesmo comunicado lia-se ainda: "Sem ter de olhar para os vários dados estatísticos, é óbvio para todos que o ódio ultrapassa a compreensão. Tem de se apurar de onde vem este ódio e porquê. Até que sejamos capazes de identificar e compreender este problema e as perigosas ameaças que representa, o nosso país não pode ser vítima dos ataques horrendos por pessoas que só acreditam na jihad e que não têm qualquer respeito pela vida humana".

A proposta gerou enorme controvérsia durante a corrida à Casa Branca, com críticos e opositores do empresário agora Presidente eleito dos EUA a acusarem-no de racismo e xenofobia, por comparar todos os que seguem o Islão, milhares de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo, ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e outros grupos extremistas.

Meses depois da publicação, Trump pareceu fazer marcha-atrás ao dizer que só pretendia “suspender a imigração [de pessoas oriundas] de regiões propensas ao terrorismo" e não os muçulmanos. A ABC nota que, apesar de o candidato republicano ter continuado a defender que os EUA não devem acolher refugiados da Síria, a sua retórica contra os muçulmanos como um todo pareceu perder força e importância até à terça-feira de eleições. O mesmo canal aponta que o comunicado sobre a proibição de entrada de muçulmanos no país continuou disponível no website até pelo menos 5 de novembro, a três dias das eleições que lhe deram a vitória.