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Se houver empate no Colégio Eleitoral, poderão ser dois democratas a dar a vitória a Trump

Em meados de outubro, Clinton fez campanha em Seattle, capital do estado de Washington

BRENDAN SMIALOWSKI

Dois membros do colégio pelo estado de Washington dizem que não vão dar o seu voto a Hillary Clinton mesmo que a maioria da população que representam vote como votou nas últimas sete eleições presidenciais, a favor do Partido Democrata. Se a ex-secretária de Estado ficar empatada com o rival republicano no Colégio, um cenário para já improvável mas não impossível, poderão ser eles a abrir as portas da Casa Branca ao populista

Robert Satiacum foi o primeiro a dizê-lo sem rodeios: se Hillary Clinton ganhar o voto popular no estado de Washington, que ele representa no Colégio Eleitoral, o apoiante de Bernie Sanders não irá respeitar a vontade da maioria. “Não, não, não à Hillary”, disse o democrata ao “Seattle Times” há alguns dias. “Espero que tudo se resuma a um voto oscilante e que seja eu [a desempatar]. Talvez aí o país acorde.” Bret Chiafalo, outro membro do Colégio pelo mesmo estado, faria depois a mesma ameaça, dizendo que pode ou não vir a respeitar o voto dos habitantes de Washington.

Não seria uma situação inédita. Como explica ao Expresso o embaixador norte-americano em Portugal, Robert Sherman, “não será a primeira vez que isto acontece, embora seja raro; tecnicamente podem fazê-lo”. O que está em causa será pouco importante se, ao longo das próximas horas, Hillary Clinton conseguir garantir uma maioria dos votos populares em importantes estados como a Florida, a Carolina do Norte, o Ohio e a Pensilvânia. Mas se ao longo da noite se for comprovando que a corrida está de facto mais renhida do que as sondagens antecipavam, e chegarmos a um cenário de empate no Colégio em que cada candidato tem 270 votos eleitorais, poderão ser Satiacum e Chiafalo a colocar Donald Trump na Casa Branca.

Nos Estados Unidos a população não elege directamente o seu Presidente. Essa função pertence aos 538 membros do Colégio Eleitoral, que à partida atribuem os seus votos ao candidato que mais apoios recebeu nas urnas da população do estado que representam. No caso de Washington, o número de habitantes corresponde a 12 votos eleitorais. Desde 1988 que o estado tem votado consistentemente no Partido Democrata. Mas este ano, se os dois dos 12 membros do Colégio cumprirem a ameaça de dissidência, Clinton terá menos dois apoios quando chegar a hora da nomeação do próximo líder norte-americano.

Esta tomada de posição não é proibida, embora seja raríssima e implique o pagamento de multas e até possíveis penas de prisão. Os castigos variam de estado para estado e, no caso de Washington, Satiacum e Chiafalo enfrentam uma multa de mil dólares e julgamento por violarem a lei estadual que os vincula aos eleitores que representam. Ouvido pela Associated Press, Satiacum já garantiu que não está preocupado. “Clinton não terá o meu voto, ponto final”, sublinhou na segunda-feira.

“Espero que, quando a altura chegar, eles votem de acordo com os resultados do seu estado”, diz o embaixador norte-americano. “E se isso não acontecer, espero que as eleições sejam decididas por mais do que dois votos eleitorais, para que não tenhamos de lidar com um cenário de tamanha divisão e controvérsia.”