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Internacional

“Não sabemos como vai ser a América de Trump”. As reações políticas à eleição norte-americana

Sascha Steinbach

Angela Merkel é cautelosa, mas o seu ministro dos Negócios Estrangeiros diz que resultado não é o esperado pela maioria dos alemães. Martin Schulz critica tom da campanha e pede a Donald Trump “responsabilidade e contenção”, enquanto François Hollande fala em "período de incerteza". Já o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, diz que a eleição de Trump é “uma boa notícia” e Benjamin Netanyahu diz que Trump é "amigo de Israel". Nigel Farage, ideólogo do Brexit, diz que esta é uma vitória ainda maior do que a saída do Reino Unido da UE

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, foi uma das primeiras líderes mundiais a regir à vitória confirmada de Donald Trump nas eleições norte-americanas, pondo água na fervura. "Os laços UE-EUA são mais profundos do que qualquer mudança política. Continuaremos o nosso trabalho conjunto, redescobrindo a força da Europa", escreveu no Twitter.

Pouco depois, seria a vez de Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, publicar um comunicado oficial. Schulz felicitou Trump pela vitória, que considerou "inequívoca", mas não deixou de fazer críticas. "Esta campanha não será relembrada como uma das melhores", escreveu o presidente do PE, destacando ainda que as posições da política externa de Trump são ainda uma incógnita e pedindo-lhe "responsabilidade, contenção e liderança".

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros francês declarou que a eleição de Trump levanta "questões". "Precisamos de perceber o que é que o novo Presidente quer fazer", disse Jean-Marc Ayraut - ideia reforçada mais tarde pelo Presidente francês, François Hollande, que decretou "um período de incerteza" daqui para a frente. Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, e Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, também felicitaram oficialmente Trump e convidaram-no para uma cimeira europeia.

Boris Johnson, chefe da diplomacia britânica e conhecido apoiante do 'Brexit', já felicitou Trump, declarando-se confiante de que poderão levar a bom porto as relações EUA-Reino Unido.

Angela Merkel reagiu de forma extremamente cautelosa: "Os EUA e a Alemanha estão ligados por vários valores: democracia, liberdade e dignidade humana. Com base nesses valores partilhados, ofereço uma cooperação próxima ao futuro Presidente dos EUA, Donald Trump", declarou a chanceler alemã. Antes dela, a sua ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, pediu para se respeitar "o voto democrático livre" dos norte-americanos, mas reconheceu estar em "completo choque" com os resultados em declarações à cadeia de televisão alemã ARD.

Horas depois, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier avisou que "muitas coisas tornar-se-ão mais difíceis" para alguns dos aliados dos EUA e admitiu que muitos alemães esperavam outro resultado. "Não sabemos como vai ser a América de Trump", resumiu.

Os catastrofistas

Já o ministro dos Assuntos Europeus checo, Tomas Prouza, foi ainda mais longe: "Estou triste por ver quão fácil é incitar o ódio e acentuar as divisões na sociedade americana. Espero apenas que algumas das coisas que vimos na campanha tenham sido táticas de campanha e não coisas para levar a sério."

O conhecido ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis, também já comentou esta eleição, ao dizer que "marca o fim de uma era".

Curioso foi o faux pas do embaixador francês nos Estados Unidos, Gerard Araud, que, segundo o jornalista do Politico Pierre Briançon, apagou um tweet onde se dizia "tonto" ao contemplar "um mundo que rui sob os nossos pés".

Reações positivas

O Kremlin também já reagiu, com o Presidente russo, Vladimir Putin, a dizer que espera "poder trabalhar em conjunto para retirar as relações russo-americanas do seu atual estado de crise", agora que Donald Trump é o Presidente norte-americano. Recorde-se que o milionário norte-americano elogiou Trump ao longo da campanha, por considerá-lo um homem forte.

Da Hungria chegou a reação mais efusiva de um chefe de Governo à vitória de Trump. Viktor Orbán, primeiro-ministro húngaro, reagiu assim: "Que boa notícia. A democracia ainda está viva", escreveu o líder do Fidesz na sua página do Facebook.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, felicitou Trump e declarou que o magnata é "um verdadeiro amigo do Estado de Israel" com quem espera trabalhar para melhorar a segurança no Médio Oriente.

Nigel Farage, ex-líder do partido eurocético britânico UKIP e um dos principais ideólogos do Brexit, disse não estar "surpreendido" com este resultado. "A classe política é detestada em grande parte do Ocidente, a indústria das sondagens está na bancarrota e a imprensa não acordou para o que se passa no mundo", declarou. "2016 parece será o ano de duas grandes revoluções políticas. Pensava que o Brexit tinha sido em grande, mas isto parece que será ainda maior."

Também a eurodeputada do partido eurocético Alternativa para a Alemanha (AfD) Beatrix von Storch classificou esta vitória como "um sinal de que os eleitores no mundo ocidental querem uma mudança clara".

De madrugada, a líder do partido de extrema-direita francês Frente Nacional, Marine Le Pen, felicitou Donald Trump e o povo "livre" norte-americano. Também Geert Wilders, líder dos eurocéticos holandeses, anunciou durante a noite que "o povo está a tomar conta do país de novo" e prometeu que os holandeses farão o mesmo.

Em atualização