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Internacional

Imprensa surpreendida com vitória de Trump

FRANK PERRY

A eleição do republicano para Presidente dos Estados Unidos provocou uma onda de títulos na imprensa mundial que incluem as palavras “choque”, “surpresa” e outras variantes. A figura polarizadora do candidato leva muitas publicações a assumirem frontalmente os receios de uma presidência Trump

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

“Trump triunfa”. Tem sido assim que os bastiões da imprensa de referência norte-americana, o “New York Times” e o “Washington Post”, têm noticiado durante toda a manhã (madrugada nos EUA) a eleição de Donald Trump como 45.º Presidente dos Estados Unidos. São dois dos títulos mais sóbrios que se podem encontrar por toda a imprensa norte-americana e mundial.

Nos jornais e revistas dos EUA sucedem-se os artigos que tentam responder à pergunta “Como pôde Trump ganhar?”, como aqui no “Boston Globe” ou na revista “Atlantic”. Dos dois lados da barricada ideológica, as reações são as que se esperavam: enquanto a revista “American Conservative” fala num “novo capítulo da política americana” que põe fim a um período “sombrio”, a revista mais à esquerda “The Nation” afirma que “tudo o que pensávamos saber sobre a política está errado”. Já a respeitada “New Yorker” não se inibe de demonstrar o seu desconforto e titula esta eleição de “uma tragédia americana”, pela pena do seu diretor, David Remnick.

No resto do mundo, o cenário repete-se. A imprensa britânica opta por um tom mais sóbrio, com o “Guardian” a falar “num futuro incerto”, o “Financial Times” a destacar as perdas nos mercados e o “Economist” a realçar uma margem de vitória de Trump "decisiva e convincente". Já em Espanha o “El País” fala num candidato que choca “meio EUA e o mundo inteiro”, o “Le Monde” classifica a eleição de “sismo” e a Der Spiegel opta pelos títulos mais informativos, não deixando contudo de dizer que “chegámos à era do populismo”.

Fora da Europa, os vizinhos canadianos do “Globe and Mail” não escondem que esta é uma reviravolta "surpreendente”. No Brasil, a “Folha de São Paulo” reage com ponto de exclamação e em Israel, aliada dos norte-americanos, tanto o liberal Haaretz como o mais conservador Jerusalem Post utilizam a expressão “chocante”.

Mais a leste, o “South China Morning Post” optou por destacar a queda nos mercados asiáticos. Já o “Moscow Times”, jornal russo de língua inglesa, dá conta do cenário na Rússia, onde o Parlamento aplaudiu a eleição de Donald Trump.