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Internacional

Centenas de civis servem de escudos humanos ao Daesh no Iraque

Milhares de iraquianos obrigados a deixar a cidade de Hammam al-Alil. Famílias foram levadas por elementos do Daesh para servirem de escudos humanos

THAIER AL-SUDANI/REUTERS

Os jiadistas são acusados de decapitarem elementos das forças de segurança e de forçarem várias famílias iraquianas a abandonar as suas casas, para servirem como escudos humanos

O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) raptou pelo menos 295 ex-membros das forças de segurança iraquianas e obrigou 1500 famílias a seguirem-nos após a retirada da cidade de Hammam al-Alil em direção ao aeroporto de Mossul.

A cidade iraquiana foi libertada no passado sábado pelo exército iraquiano, que encontrou uma vala comum com os restos de 100 corpos, na sua maioria decapitados. Ainda não foi possível esclarecer quem eram estas pessoas, mas vídeos divulgados pela polícia iraquiana indicam poder tratar-se de civis. A vala foi, no entanto, encontrada no mesmo local onde as Nações Unidas descobriram provas da morte de 50 polícias iraquianos no mês passado.

As pessoas que foram levadas pelo Daesh deverão ser usadas como escudos humanos ou mortas, avisou Ravina Shamdasani, porta-voz da ONU para os direitos humanos.

“O destino destes civis é desconhecido até ao momento”, afirmou a representante da ONU.

O Daesh tem vindo a perder o controlo de várias cidades no Iraque, mas não sem antes levar a cabo execuções sumárias e obrigar civis a acompanhá-los durante a sua retirada dos territórios que ocupavam. Perto de 300 antigos elementos das forças de segurança iraquianas, bem como 30 xeques, ou líderes locais desapareceram de várias aldeias nas imediações de Mossul, alertaram as Nações Unidas.

O início da derradeira batalha para reconquistar Mossul ao Daesh foi anunciada pelo primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, a 17 de outubro. “A hora da vitória chegou”, anunciou o chefe do executivo, rodeado das mais altas patentes militares do país. “Hoje declaramos o início das heróicas operações para vos libertarmos do Daesh”, continuou. “Se deus quiser iremos encontrar-nos em Mossul para celebrar a libertação [da cidade] e a vossa salvação do ISIS para que possamos voltar a viver juntos, todas as religiões unidas para derrotar o Daesh e reconstruir a adorada cidade de Mossul.”

As operações militares - que podem, segundo as piores previsões, durar vários meses - já obrigaram quase 21 mil pessoas a abandonar as suas casas, perto de metade das quais são crianças, informaram as Nações Unidas.