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“Só votei em Hillary porque Bernie Sanders me pediu”

Justin Sullivan / Getty Images

Sarah Kresock tem 26 anos e vive em Boston. Tal como a maioria dos millennials, é apoiante de Bernie Sanders. Sem o senador do Vermont na corrida à Casa Branca, só há solução: votar em Hillary Clinton, por mais “desagrado” que isso lhe traga

Helena Bento

Jornalista

Sarah Kresock tem 26 anos e é designer. Vive em Boston, no estado do Massachusetts, mas cresceu no Vermont, estado tradicionalmente democrata, de que Bernie Sanders, o ex-candidato às eleições norte-americanas que conquistou mais de 70% dos votos dos jovens nas primárias democratas, é senador.

Sarah votou na passada sexta-feira, 4 de novembro, porque este ano, excecionalmente, as estações de voto em Boston estiveram abertas em alguns dias durante as últimas duas semanas. Mas não foi por isso que o processo foi menos complicado. Foi obrigada a esperar cerca de uma hora e meia para conseguir votar. “Tenho a certeza de que noutras estações acontece o mesmo ou até pior. Este sistema de voto não é perfeito e ocorrem muitos erros durante o registo”. “Votar aqui não é um processo fácil”, garante ao Expresso.

Escolher um de entre os candidatos à presidência da Casa Branca também não foi fácil para Sarah, que reconhece ter votado em Hillary Clinton “apenas porque Bernie Sanders – em quem teria votado se ele ainda estivesse na corrida às presidenciais, por ser um “homem inteligente, com um sentido de ética muito forte” – lhe pediu.

“Desde que ele perdeu as primárias que tem vindo a pedir aos seus apoiantes para votarem em Hillary, para evitar que Trump vença. Eu apoio Bernie, acredito nele. Se ele nos pede para votarmos em Hillary, nós votamos”. Não sem algum “desagrado”, porém. “Não concordo com ela em muitos aspetos. Como em relação ao ‘fracking’ [fraturação hidráulica dos solos para recolha de gás e de petróleo, técnica altamente polémica], por exemplo , que devia ser ilegal. As suas ligações a Wall Street também não me agradam. Política e dinheiro não deviam imiscuir-se assim, e Hillary tem sido muito ambígua em relação a estes assuntos".

A perspetiva de ver Trump na presidência do país é, porém, bem pior do que tudo isso. Sarah descreve-o como uma “criatura horrenda, que não tem respeito por ninguém a não ser por ele próprio”. “É um xenófobo e um demagogo. Não tem lugar na Casa Branca. Ele não representa os Estados Unidos, representa os estados divididos”, insiste.

A designer diz estar “muito preocupada” com o sentido de voto daqueles que até agora apoiaram Bernie Sanders. “Muitas pessoas que eu conheço são pelo movimento Bernie or Bust”, ou seja, se não podem votar no senador do Vermont então não votam em nenhum outro candidato, o que, como se sabe, poderá ser prejudicial para a candidatura democrata. Apesar disso, Sarah acredita que, no último momento, irão ceder e votar em Hillary Clinton. Afinal, foi isso que Bernie Sanders lhes pediu e eles sabem “o quão importante é esta eleição”.

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