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Internacional

Sinais positivos para Hillary Clinton na contagem dos votos antecipados

Voto em massa dos latinos poderá ser a grande surpresa da noite eleitoral

KENA BETANCUR

Pelo menos 42 milhões de eleitores dos EUA já depositaram os seus votos nas urnas antes desta terça-feira de eleições: o número é inferior ao registado na mesma fase em 2012, o que pode ser uma má notícia para a candidata democrata, mas entre esses 42 milhões os latinos são campeões – serão eles o gigante adormecido que vai acordar para oferecer a Casa Branca à ex-secretária de Estado?

Ao longo das últimas semanas, pelo menos 42 milhões de cidadãos norte-americanos participaram nas eleições em fase antecipada, um primeiro número que dificulta as previsões desta noite eleitoral. Desses, 18 milhões de votos foram depositados em estados swing, aqueles que não pendem mais fortemente para um partido nem para o outro e que têm importância redobrada nos resultados finais.

A primeira nota é que foi registada uma queda na participação eleitoral antecipada em relação a 2012: quando Barack Obama lutou pela reeleição contra o republicano Mitt Romney, 46 milhões de pessoas participaram na fase de votação antecipada. Dado que este é um importante indicador do entusiasmo dos eleitores face aos candidatos presidenciais, a queda na participação poderá sinalizar uma tendência de participação mais reduzida, o que tradicionalmente faz a balança pender a favor dos republicanos quanto o saldo total é contabilizado.

Há, contudo, boas notícias para a candidata democrata: até ver há mais mulheres a ir às urnas do que homens, um dos grupos demográficos que poderá contribuir fortemente para a derrota de Donald Trump, e os latinos podem mesmo tornar-se o mais importante grupo nas urnas, aquele que garantirá que Hillary é eleita. A má notícia é que há menos afro-americanos a votar antecipadamente em comparação com 2008 ou 2012, os anos em que tiveram no boletim de voto o nome de um homem que fez História enquanto primeiro Presidente negro dos EUA.

O caso dos latinos é, para já, o mais estrondoso: no Arizona, houve um aumento registado de 11% para 13% entre os membros da comunidade que participaram no processo antecipado de votação em comparação com 2012; no Texas, o aumento foi de 26%; na Florida, um dos estados que Trump não se pode dar ao luxo de perder, o número mais estrondoso: mais 152% de latinos a votar antecipadamente face há quatro anos.

Na Carolina do Norte, e apesar de o aumento registado ser inferior ao da Florida, os democratas veem com bons olhos o facto de haver tantos latinos nas urnas tendo em conta as leis que foram aprovadas no estado para restringir o direito de voto das minorias. E no Nevada, a corrida dos latinos às urnas nos últimos dias da fase de votação antecipada aponta, segundo Jon Ralston, para a probabilidade de os republicanos perderem aquele estado.

Os resultados cumprem a profecia de que a retórica de Trump na forma de um muro na fronteira com o México ou na classificação de todos os latinos, milhões de pessoas, como "violadores" e "traficantes", pode ser o seu calcanhar de Aquiles e aquilo que, em última instância, vai firmar a eleição de Hillary.

No geral, a participação de eleitores registados como democratas está seis pontos percentuais acima do número de votos depositados por republicanos nesta fase. Mas é importante lembrar que ainda é demasiado cedo para tirar conclusões sobre os potenciais resultados desta eleição com base nos 42 milhões de eleitores que já foram às urnas.

"É muito difícil discernir quais vão ser os resultados a partir dos números de votação antecipada", explica ao Vox Barry Burden, cientista político da Universidade de Wisconsin Madison. "Os padrões não contam uma história nacional coerente. Os votos estão a chegar a diferentes velocidades para os partidos em cada estado. E as mensagens parecem diferir de um estado para outro."

Seth Masket, da Universidade de Denver, tentou definir padrões de influência das votações antecipadas nos resultados finais de anteriores eleições e a sua conclusão é a mesma: "A relação é positiva mas é muito barulhenta", diz sobre as potenciais pistas escondidas nos resultados da votação antecipada. No fundo, "saber como um partido está a sair-se na votação antecipada não diz muito sobre como é que esse estado se vai sair assim que todos os votos forem contabilizados".

Em 2012, por exemplo, tirar conclusões precipitadas da fase de votação antecipada ter sido altamente enganador. Explica Masket no FiveThirtyEight que, nesse ano, "os democratas estavam à frente entre os eleitores antecipados na Carolina do Norte, Louisiana e West Virginia e tinham uma curta margem em relação aos republicanos no Oklahoma, mas ainda assim perderam nesses estados." O mesmo aconteceu com os republicanos, que na fase de votação antecipada ficaram à frente na Pensilvânia e Colorado, estados que ainda assim perderam quando se concluiu a contagem final dos votos.