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Maioria das sondagens aponta vitória confortável de Clinton, apesar da aproximação de Trump

Chip Somodevilla / Getty Images

WaPo prevê 275 assentos do Colégio Eleitoral para a democrata contra 215 para Donald Trump, uma margem mais reduzida do que a maioria dos inquéritos chegou a antecipar até há uma semana. O “New York Times” aponta 84% de probabilidades de uma Presidente Clinton e 55% de probabilidades de os democratas roubarem aos republicanos o controlo do Senado. O “Huffington Post” tem uma das previsões mais otimistas para Clinton, dando apenas 2% de chances a Trump. Nate Silver, do FiveThirtyEight, continua a contemplar outros fatores nos seus cálculos e apresenta uma das previsões mais cautelosas: há 65% de hipóteses de Trump perder

A corrida eleitoral norte-americana acaba hoje, madrugada de amanhã em Portugal, ou pelo menos assim seria de esperar num ano normal de eleições. Como este não é um ano normal de eleições nos Estados Unidos, o "Washington Post" acrescentou um "esperamos nós!" no início do seu exercício de futurologia com base nas sondagens nacionais e estatais conduzidas nas últimas semanas.

Os cálculos do diário apontam 275 assentos no Colégio Eleitoral já garantidos por ou a pender para Hillary Clinton, cinco acima do mínimo necessário para ser eleita Presidente, contra 215 para Trump. A previsão é uma das mais sóbrias e tem em conta a recente subida de popularidade do candidato republicano no rescaldo do novo caso do FBI, o que na prática o aproximou da rival democrata mais do que se antecipava até há pouco tempo mas, de acordo com a maioria dos inquéritos, não o suficiente para que represente um perigo.

Será uma corrida renhida mas a maioria dos media aponta para elevadas probabilidades de amanhã os EUA acordarem com uma Presidente Clinton (se Trump aceitar os resultados da votação, algo que ainda não declarou sem rodeios que vá fazer). É o caso do "New York Times", que com base no seu modelo de cálculo e análise das intenções de voto aponta esta terça-feira para 84% de probabilidades de a ex-secretária de Estado ganhar. A par disso, o mesmo jornal aponta aos democratas 55% de hipóteses de roubarem aos republicanos a maioria no Senado.

Uma das previsões mais estrondosas é do "Huffington Post", que nos últimos dias finalizou os seus cálculos e concluiu que Clinton tem 98% de probabilidades de derrotar o magnata populista contra o qual concorre. O número é tão elevado – e tão díspar dos resultados de outros modelos de tratamento de sondagens – que no fim de semana um especialista do jornal entrou numa discussão acesa com um colega de outro site sobre a metodologia de análise (um debate que até hoje nunca valeu grande espaço nos media nem na internet).

E se as sondagens estiverem erradas?

Num artigo publicado no sábado, Ryan Grim do "Huffington Post" acusou Nate Silver, do site FiveThirtyEight, de praticar uma manipulação política das intenções de voto "mascarada de sofisticado modelo matemático, comparando as previsões de Silver, que neste momento aponta 65% de probabilidades de Clinton vencer, às dos sites "duvidosos" que, em 2012, antecipavam a vitória de Mitt Romney – no final, o republicano não só perdeu como a vantagem de Obama na reeleição foi superior ao que era esperado.

Silver diz que Grim escreveu um artigo "irresponsável e idiota", que não tem em conta o fundamento do seu modelo de cálculo, os chamados ajustes nas linhas de tendência. Na prática, o que o fundador do FiveThirtyEight tem tentado fazer é colmatar uma das falhas mais apontadas aos modelos tradicionais de sondagens, que nunca souberam bem o que fazer com inquéritos mais antigos. Por miúdos: se é sabido que a corrida ficou mais renhida a partir de meados de outubro, o modelo de Silver vai ainda assim incorporar os resultados de inquéritos anteriores a essa data nos seus cálculos, algo que diz ser importante para entender toda a evolução das intenções de voto, sobretudo numa corrida tão volátil como a deste ano. Para Grim e outros analistas de dados, isso não faz sentido.

Como exemplifica Silver no seu site, "se Trump estava à frente na Carolina do Norte com uma vantagem de 1% em junho mas a linha de tendência mostra que ganhou três pontos percentuais a nível nacional desde então, o modelo vai tratar as sondagens como antecipando um avanço de quatro pontos percentuais" para o republicano.

Essas variações na linha de tendência são calculadas através da comparação de diferentes edições de uma mesma sondagem. Ou seja, se Clinton tinha 46% na sondagem da Quinnipac na Florida em agosto e 43% das intenções na mesma sondagem em julho, o modelo de Silver sugere que ela subiu três pontos percentuais naquele estado, ajustando os resultados mais recentes aos de sondagens mais antigas.

Se o cálculo final de Silver acaba por demonstrar uma tendência mais pró-Trump nesta reta final do que as restantes sondagens, desconstruía esta segunda-feira o Vox, isso tem apenas a ver com o facto de os últimos inquéritos mostrarem que conseguiu aproximar-se da rival democrata – e não com a alegada manipulação das intenções de voto por Silver para servir uma agenda política. É uma estratégia diferente da de sites como o RealClearPolitics, por exemplo, que à medida que a corrida avança vai abandonando os resultados das sondagens mais antigas, deixando-os de fora dos cálculos mais recentes.

A batalha do FiveThirtyEight ao longo da corrida tem valido a Silver críticas e acusações, mas o seu modelo terá algum fundamento de verdade, pelo menos a julgar pela forma como tem conseguido abrir caminho junto da imprensa mainstream. "Estará Nate Silver certo?", perguntava há quatro dias o "Politico". No mesmo dia, esse mesmo site lançava uma pergunta, "E se toda a gente estiver errada?", seguida de uma série de outras questões sem resposta imediata: e se a alardeada operação de recolha de dados e jogo no terreno de Clinton não entregar os resultados previstos?; e se, de facto, existe uma "maioria silenciosa" de fãs de Trump que não têm integrado as amostras nas sondagens e que vão aparecer em massa nas urnas?; e se os votos já angariados em maior número do que Trump na fase de votação antecipada foram insuficientes?

E se as sondagens estiverem erradas? As respostas começarão a ser conhecidas logo à noite, assim que as urnas da costa leste forem encerrando e a contagem começar. Até lá, o "Politico" analisa os três caminhos que podem levar a uma eventual vitória de Trump.