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Guia para uma longa noite eleitoral

JOSHUA LOTT/ Getty Images

Quando ler estas linhas, os americanos já estarão a votar. No entanto, só lá para as quatro da manhã de quarta-feira é que se saberá quem é o novo Presidente dos Estados Unidos da América. O Expresso ajuda-o a sobreviver a esse martírio

O dia chegou. Mais de 200 milhões de cidadãos dos Estados Unidos da América são chamados a eleger o Presidente do país mais poderoso do mundo (mas apenas 120 milhões devem ir às urnas). Os eleitores escolherão, ainda, os 435 membros da Câmara dos Representantes, 34 dos 100 senadores e titulares de outros cargos estaduais e locais.

A disputa deste ano, entre a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump, prendeu as atenções do mundo. O que se passa nas “terras do Tio Sam” nunca é indiferente para o resto do globo, mas desta vez a campanha foi ainda polarizada, com muito jogo baixo e mais debate de caráter do que de ideias. De um lado, um candidato sem experiência política e com escassa preparação, que adotou um discurso jamais visto em tempos modernos no que a racismo, sexismo e divisionismo diz respeito. Do outro, uma veterana que pode fazer história como primeira mulher na Casa Branca mas que se viu envolvida em polémicas em todos os cargos por que passou, nomeadamente primeira-dama, senadora e secretária de Estado.

O mais natural é, pois, que o leitor esteja em pulgas para saber quem vai ser o 45.º chefe de Estado do país, o próximo detentor dos códigos nucleares. Como acompanhar a noite da grande decisão? O Expresso explica.

Num país banhado por dois oceanos e que atravessa seis zonas horárias, o desfecho faz-se esperar. As urnas abrem entre as onze da manhã e o meio-dia (hora portuguesa, como todas as mencionadas neste artigo, salvo indicação contrária), fechando entre a meia-noite e a uma da manhã de quarta-feira.

JIM LO SCALZO / Getty

Este ano há projeções em tempo real

À medida que as mesas de voto encerrarem em cada Estado, haverá projeções baseadas em sondagens à boca da urna. Este ano estreiam-se, ainda, as projeções em tempo real ao longo da jornada eleitoral, uma iniciativa dos sítios informativos Slate e Vice News, em parceria com a empresa Votecastr, dirigida por veteranos das campanhas de Obama e Bush. Em todo o caso, um e outro tipo de projeções darão apenas uma indicação das tendências. Não se trata de resultados reais e, além disso, os valores podem ser demasiado próximos para conclusões.

Que é como quem diz que, para ter a certeza, deve preparar-se para uma noitada. Na última eleição, em 2012, os primeiros Estados proclamaram um vencedor pelas 0h05, mas o desenlace só foi confirmado às 4h38, quando a vitória no Colorado assegurou o segundo mandato ao democrata Barack Obama. Mas ainda havia Estados a contar votos. O último da noite a anunciar o vencedor foi, às 5h57, o Alasca (que votou maioritariamente no republicano Mitt Romney), mas a Florida ficou para o dia seguinte.

Seria bom que toda a América fosse Dixville Notch… Nunca ouviu falar? Não estranhe. Trata-se de uma aldeia do Estado de Novo Hampshire, a 30 quilómetros da fronteira canadiana, que começa a votar à meia-noite do dia das eleições (que é como quem diz que já o fez, às nossas cinco da manhã). O resultado costuma ser divulgado minutos depois da meia-noite, pois a povoação tem 12 habitantes.

Drew Angerer/ Getty Images

Momentos quentes da noite

O sistema eleitoral das presidenciais é complexo: não basta contar os votos em cada candidato a nível nacional. É que formalmente os votantes estão a escolher 538 “grandes eleitores”, membros de um Colégio Eleitoral, e é este que designa, formalmente, o novo Presidente. Cada Estado tem um número de “grandes eleitores” sensivelmente proporcional à sua população. Em cada Estado, todos os “grandes eleitores” são atribuídos ao candidato presidencial mais votado (com a exceção do Maine e do Nebrasca, cujo sistema é semi-proporcional). Logo, em 48 Estados é indiferente ganhar por muito ou por pouco. O importante é conquistar os Estados que oscilam de eleição para eleição (swing states).

Estes começam a fechar à meia-noite (Novo Hampshire, Virgínia, Florida) e continuam pela noite dentro (Ohio às 0h30, Pensilvânia e Michigan à 1h, Wisconsin e Colorado às 2h, Iowa e Nevada às 3h). Contudo, dadas os diferentes tamanhos dos Estados, a ordem de anúncio dos resultados pode não ser esta (a Florida é tipicamente um Estado demorado, e vale 29 “grandes eleitores”).

Além dos canais de televisão de todo o mundo, com destaque para as grandes cadeias americanas, pode (e deve) seguir a noite aqui no Expresso.pt e nos sítios de vários órgãos de comunicação. Estes apostam também nos diretos nas redes sociais, as quais terão, na noite da verdade, um papel importante que já desempenharam ao longo da campanha.

Chip Somodevilla/ Getty Images

A CNN promete pôr drones a sobrevoar assembleias de voto. Canais como a Bloomberg, NBC ou MTV estarão a emitir em direto no YouTube. Os jornais “The Washington Post” e “The New York Times” terão emissões contínuas online e no Facebook. No Twitter, em parceria com a BuzzFeed News, promete-se não só análise eleitoral como apreciação crítica da cobertura dos media tradicionais. Meios digitais como o Politico.com e The Huffington Post também merecerão visitas. E o Google irá incluir o seguimento dos resultados no seu motor de busca.

Com tantos recursos à disposição e – esperamos – uma boa dose de chá, café ou outro carburante, será menos duro aguentar as longas horas da noite eleitoral. O júbilo por ver ganhar o seu candidato ou o mero alívio por ver perder quem não queria ver na Casa Branca serão justa recompensa.

A não ser, é claro, que… bom, é que há uma pequena hipótese de as coisas não correrem tão bem. Pode haver contagens que se prolonguem pelo dia de quarta-feira, Estados que requeiram recontagens ou, até, um empate a 269 “grandes eleitores” no Colégio. Nesse caso, porém, a solução está na lei: a Câmara dos Representantes escolhe o Presidente e o Senado elege o seu vice. Cruzamos os dedos para que daqui a 24 horas já tudo esteja resolvido.