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Em poucas horas, 5500 queixas de violação da lei eleitoral

Kayana Szymczak/ Getty Images

Ao Expresso, membros de organizações de direitos cívicos falam de caos em alguns locais de voto

Várias organizações de direitos cívicos têm denunciado ao longo do dia milhares de violações da lei eleitoral. Equipamento que não funciona, atrasos na abertura dos locais de voto e tentativas de intimidação são alguns dos exemplos.

Só até às 9h30 (14h30, em Lisboa), já se contabilizavam 5500 queixas, denuncia Wade Henderson, presidente da associação Leadership Conference on Civill and Human Rights.

Em conversa com o Expresso, Wade alertou que “estas eleições correm o risco de serem as mais caóticas dos últimos 50 anos para as minorias”.

A organização prevê receber até final do dia cerca de 175 mil chamadas com vários tipos de queixas, um número superior aos registados em 2008 e 2012.

Na cidade de New Bedford, Massachusetts, um pólo da comunidade imigrante portuguesa, houve um atraso generalizado na entrega dos boletins de voto. “Houve gente que simplesmente foi embora sem votar”, conta-nos a advogada Kristen Clarke, presidente da Lawyers Commitee for Civil Rights Under Law.

A secretaria de estado do Massachusetts adiou para o final da noite uma reacção aos incidentes.

A razão para este fenómeno relaciona-se com a decisão do Supremo Tribunal americano, que, em 2013, antes do falecimento do juiz Antonin Scalia, que consolidava uma maioria conservadora de cinco contra quatro juízes liberais, de anular partes da lei Voting Rights Act de 1965, que protegia as minorias de qualquer tentativa de discriminação.

Em consequência disso, o Departamento de Justiça destacou apenas 500 observadores paras estas eleições, menos 250 do que em 2012.

Na altura da decisão do Supremo, John Roberts, um dos magistrados que votou a favor, redigiu o texto da decisão e explicou que a deliberação se justificava porque o país tinha “mudado bastante” e parte das garantias da legislação “eram desnecessárias".

Ontem, numa entrevista ao Expresso, Richard Cohen, advogado e membro do Southern Poverty Law Center (SPLC), outra das organizações de defesa de direitos cívicos, explicou porque discorda de Roberts. “Ainda há uma semana foi incendiada mais uma igreja negra no Mississípi, a sexta nos últimos três meses no sul do país. A polícia suspeita de vandalismo e de tentativa de intimidação para que os negros não votem nas presidenciais”.