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Em directo da campa da feminista que abriu portas a Hillary Clinton

Susan B. Anthony (ao centro) foi líder do movimento sufragista americano que abriu as portas para que, confirmando-se os estudos de opinião, a antiga senadora se torne na primeira chefe de Estado na história da América

GETTY

Em alternativa à cobertura noticiosa clássica, com partidários democratas e republicanos a trocarem galhardetes, uma televisão da cidade de Rochester transmite a emissão, em directo, a partir da campa da líder sufragista Susan B. Anthony, antecipando-se à eventual eleição da primeira mulher para a presidência dos EUA.

Cresce o número de sondagens que apontam para uma vitória da candidata democrata, Hillary Clinton, nas presidenciais americanas desta terça-feira. A última é da NBC e indica uma vantagem de cinco pontos percentuais (46% contra 41% do rival republicano, Donald Trump). Antevendo esse resultado, um canal televisivo da cidade de Rochester, estado de Nova Iorque, transmite a emissão a partir da campa de Susan B. Anthony, a feminista líder do movimento sufragista americano que abriu as portas para que, confirmando-se os estudos de opinião, a antiga senadora se torne na primeira chefe de Estado na história da América.

Para quem está farto de uma campanha negativa, recheada de discursos ofensivos de parte a parte, a News 8 Wrock, parceira do canal nacional CBS, sugere algo diferente, partilhando, via live stream no Facebook, imagens do cemitério Mount Hope, onde centenas de nova-iorquinos prestam homenagem àquela figura histórica.

“Podia ser mórbido, mas a verdade é que é bastante inspirador”, diz, ao Expresso, Joan Peterson, uma professora na Universidade de Rochester, que esta manhã, acompanhada da filha e da neta, colou um autocolante da campanha de Hillary na lápide. “Votei hoje por causa de mulheres como ela. Foi muito emocionante e não consegui conter as lágrimas.”

Susan B. Anthony foi uma abolicionista que aos 17 anos já distribuía propaganda contra a escravatura, num tempo onde esse gesto podia dar prisão.

Criada numa família onde as reformas sociais eram prioridades discutidas à mesa do jantar, Susan não se importava com as ameaças e, em 1868, fundou o jornal “Revolution” com o intuito de promover a sua agenda.

Quatro anos depois, exigiu que pudesse votar e as autoridades prenderam-na. Julgada e condenada, foi obrigada a pagar uma multa de 100 dólares.

Em 1893, em Chicago, ela ajudou a criar o World Congress Representative Women, um evento rodeado de segurança extrema e que trouxe até àquela cidade mais de 500 mulheres de 27 países, que discursaram perante uma audiência de 150 mil pessoas.

Todos os anos, entre 1869 e 1906, ano do seu falecimento, Susan compareceu no Congresso americano, reclamando que fosse aprovada uma lei que autorizasse o voto feminino. Quando tal sucedeu, em 1920, a emenda constitucional foi titulada de “Susan B. Anthony Amendment.

Os portões do cemitério Mount Hope, que normalmente fecha às 17h30, irão manter-se abertos até às 21h.

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