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Dia A, de América. Os estados onde tudo se decide

Drew Angererb / Getty Images

Os “ swing states”, estados que não votam tradicionalmente sempre no mesmo partido, podem decidir uma eleição. Entre o vermelho republicano e o azul democrata, sobram configurações púrpura que revelam as diferenças de idade, género, raça e classe social que marcam a América – e esta eleição, talvez mais do que qualquer outra. Faça uma viagem por esses nove estados, numa seleção do Expresso centrada em histórias individuais

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

De quatro em quatro anos, em tempo de eleições presidenciais norte-americanas repete-se até à exaustão a expressão “swing states”. Os estados oscilantes que ora votam à esquerda ora à direita, sem um perfil político estanque e definido, acabam muitas vezes por votar no vencedor – caso do Nevada, em 31 das 38 eleições – e são por vezes decisivos graças à sua dimensão: basta olhar para a Florida, que representa 29 dos 270 votos necessários para ter maioria no colégio eleitoral, o órgão responsável pela eleição do Presidente (o colégio eleitoral tem ao todo 538 votos). Não é por isso de admirar que muitos olhos se foquem neles.

No entanto, a matemática que determina que estados variam em cada eleição nem sempre é simples, havendo mesmo discórdia entre muitos analistas. É certo que estados como o Oklahoma, que vota republicano desde 1952 (com exceção da vitória de Lyndon Johnson em 1964), ou o Massachussets, território firmemente democrata desde 1928 (com falhas no raccord apenas para eleger e reeleger tanto Dwight Eisenhower como Ronald Reagan), serão dificilmente apelidados de oscilantes a cada eleição. E também não há grandes dúvidas de que locais como o Ohio ou o Iowa são sempre uma surpresa, quebrando muitas vezes tendências de voto que já pareciam seguras.

Contudo, cada eleição é uma eleição e o perfil de cada candidato pode fazer oscilar as fundações mais seguras. Basta olhar para 2016: a influência consolidada pelo Partido Democrata na Pensilvânia, nos últimos 20 anos, pode estar em risco nesta eleição, com grande parte da classe operária a apoiar Donald Trump. Foi por essa razão que incluímos este estado nesta série sobre os nove “swing states” norte-americanos, numa seleção que, apesar de ter em conta a tendência de voto das últimas décadas, é naturalmente subjetiva.

Oscilando entre Hillary Clinton e Donald Trump, os “swing” podem ajudar-nos a compreender melhor que temas preocupam os eleitores norte-americanos e quais podem decidir uma eleição. Entre imigração, economia ou justiça, procurámos dar a conhecer as preocupações dos eleitores. De fora ficaram discussões sobre saúde, segurança, ambiente, diplomacia e tantos outros tópicos que seria relevante abordar. Por dentro, esperamos, ficaram as histórias e as opiniões de nove pessoas. Nove rostos entre os milhões de norte-americanos que hoje contribuirão para tornar os seus estados menos “púrpura”, participando na decisão política mais importante dos últimos anos.