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Expresso

Internacional

Políticos pró-democracia de Hong Kong em novo braço de ferro com Pequim

Leung Chun-ying (ao centro) é chefe do Executivo de Hong Kong desde 2012

PHILIPPE LOPEZ

Governo da região administrativa concorda com decisão do regime chinês e diz que vai impedir entrada dos deputados eleitos Yau Wai-ching e Sixtus “Baggio” Leung no Parlamento

O chefe do executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, anunciou esta segunda-feira que vai “implementar plenamente” a interpretação de Pequim no caso dos dois deputados independentistas da região eleitos no início de setembro e impedir a sua entrada no Parlamento.

Citado pelos media locais, Leung disse que a interpretação feita pelo Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP) da lei de Hong Kong está correta e torna evidente que qualquer juramento prestado de forma não sincera ou solene será considerado como uma rejeição desse juramento e que os deputados que assim o fizerem não serão autorizados a tomar posse.

O controverso passo ameaça reavivar a crise política que teve lugar há dois anos, na chamada Revolução dos Guarda-Chuva, quando as forças de segurança de Hong Kong reprimiram enormes protestos e acampadas contra a ingerência de Pequim nos assuntos da ilha e em defesa da democracia.

Naquela que é a intervenção mais direta no sistema legal do território administrativo desde a sua independência da Grã-Bretanha em 1997, o regime chinês disse que os políticos pró-democracia Yau Wai-ching e Sixtus 'Baggio' Leung não devem ser autorizados a ocupar os assentos no Conselho Legislativo (LegCo) para os quais foram eleitos por parte da população de Hong Kong no início de setembro.

Esta segunda-feira, o executivo administrativo de Hong Kong alinhou com as ordens de Pequim e anunciou que não vai permitir que os dois deputados entrem no Parlamento. O Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP), definido na Constituição como o “supremo órgão do poder de Estado” da China, diz que um juramento que não respeite a lei de Hong Kong — ou seja, a prestação de juramento por críticos do regime — "deve ser considerado inválido e não pode ser repetido", numa rara interpretação da Lei Básica (miniconstituição) da ex-colónia britânica.

No mês passado, durante a caótica cerimónia de tomada de posse dos novos membros do LegCo, Yau e Leung desafiaram Pequim ao se recusarem a declarar a sua aliança à China, erguendo bandeiras azuis onde se lia "Hong Kong não é a China". Os juramentos dos dois deputados foram considerados inválidos e a nova decisão impede que voltem a proferi-los para poderem integrar o parlamento da ilha. Um dia depois desse acontecimento, milhares de pessoas voltaram a sair às ruas de Hong Kong num protesto contra a ingerência da China nos assuntos políticos da região.

Emily Lau, ativista pró-democracia veterana de Hong Kong, diz citada pelo "The Guardian" que Pequim tomou esta decisão por temer que a atitude dos dois deputados dê força a outros movimentos independentistas em regiões sob seu domínio como o Tibete e Xinjiang.