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Internacional

May promete não ceder nos planos de mais controlos à imigração

Dan Kitwood

À chegada à Índia, a primeira-ministra britânica garantiu ter um caso “forte” para convencer os juízes do Supremo Tribunal do Reino Unido a reverterem a sua recente decisão sobre o Brexit e deixou avisos aos deputados, do seu partido e da oposição, que planeiam apoiar-se no veredito para alterar o conteúdo das negociações de saída da União Europeia

A primeira-ministra britânica voltou a deixar claro esta segunda-feira que não vai ceder nos seus planos para impôr mais controlos à imigração para o Reino Unido na batalha parlamentar sobre o Brexit, que se antecipa longa após o painel de juízes do Supremo Tribunal ter ditado, na semana passada, que o Governo de Theresa May não pode ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa sem primeiro consultar os deputados britânicos.

À chegada à Índia para uma visita oficial de três dias, May insistiu que o seu Governo tem um caso "forte" para persuadir o Supremo a reverter a sentença e deixou avisos aos deputados, quer do seu Partido Conservador quer dos restantes partidos, que possam estar a planear usar este veredito para influenciarem o conteúdo da proposta de saída da União Europeia.

Aqueles que estão a considerar propor emendas à atual proposta do Executivo — para, entre outras coisas, conseguirem que ceda em pontos como a imigração para garantir a manutenção do Reino Unido no mercado único europeu — devem lembrar-se que "as pessoas falaram a 23 de junho" e que é função do Governo cumprir os seus desejos, declarou a primeira-ministra aos jornalistas, invocando o referendo de há quatro meses no qual 52% da população que foi às urnas votou a favor da saída da União Europeia.

Para a líder britânica, como para vários analistas, a vitória do Brexit foi, em larga medida, o resultado do descontentamento de muitos britânicos quanto à atribuição de vistos a cidadãos da União Europeia e de outros países.

May tornou-se líder do Partido Conservador e do Executivo britânico no rescaldo dessa vitória e da demissão de David Cameron. Questionada hoje sobre a especulação de que poderá convocar eleições antecipadas para reforçar a maioria conservadora na Câmara dos Comuns e assim obter um mandato mais forte para negociar a saída da UE sob os seus termos, May repetiu: "Tenho declarado de forma consistente que acredito que as eleições gerais devem acontecer em 2020 como programado."