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Expresso

Internacional

Alemanha doa mais 61 milhões de euros à ONU para reduzir migração para a Europa

DIMITAR DILKOFF

Este reforço monetário visa sobretudo controlar o número de migrantes que chegam ao continente europeu. Ao contribuir para o aumento da ajuda humanitária prestada pelas Nações Unidas em África, o Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão espera que menos pessoas se aventurem na perigosa travessia marítima

Com o objetivo em mente de abrandar o fluxo de migrantes que chegam à Europa, a Alemanha anunciou que vai doar mais 61 milhões de euros do que estava previsto para financiar operações de ajuda humanitária das Nações Unidas em África. A revelação foi feita esta segunda-feira por Frank-Walter Steinmeier, Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, no encontro com o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, em Berlim.

“Conflitos crónicos, desastres provocados pelas mudanças climáticas e pobreza” é a descrição que a Reuters faz dos países que vão receber a ajuda extra alemã. É devido a estes fatores que muitas pessoas decidem arriscar uma perigosa viagem em barcos sobrelotados até à Europa.

“Estes países precisam urgentemente da nossa ajuda”, referiu Steinmeier, citado pela “Reuters”. O ministro acredita que este dinheiro “vai permitir que as pessoas tenham mais condições perto das suas casas para que não necessitem de fazer a travessia para a Europa”. Burundi, Mali, Somália, Sudão do Sul e países vizinhos, e ainda países na região do Chade, no oeste africano, são alguns dos países que vão usufruir deste auxílio.

Esta doação extra eleva a contribuição anual que a Alemanha faz para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) para 298 milhões de euros em 2016, de acordo com fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão citado pela Reuters.

Desde o ano passado, cerca de um milhão de migrantes chegou à Europa, vindos de África, do Médio Oriente e da Ásia, sendo que muitos outros morreram pelo caminho sem nunca pisarem solo europeu. Os países que acolheram mais refugiados viram-se a braços com a tarefa de receber ondas de imigração, porém também se viram confrontados com o sentimento anti-imigração que foi crescendo nesses países.

Este fim-de-semana o Ministério do Interior alemão revelou que estava a considerar formas para impedir que os migrantes cheguem à costa europeia, recolhendo-os no mar e levando-os de volta para África. O Ministério dos Negócios Estrangeiros ainda não teceu comentários sobre este plano. A verificar-se, representará uma enorme mudança de paradigma para a Alemanha, visto ter sido um dos países mais generosos no que toca a políticas de asilo.