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Hillary mantém liderança mas corrida à Casa Branca está mais renhida

JIM LO SCALZO/EPA

A cinco dias das eleições que decidirão quem vai ser o próximo Presidente dos Estados Unidos, cresce a tensão. Obama voltou a apelar ao voto na candidadta democrata: “Há momentos em que o curso da História pode mudar”

A cinco dias de uma eleição aguardada com expetativa, a tensão aumenta na corrida à Presidência dos Estados Unidos, com a democrata Hillary Clinton à frente nas sondagens, mas quase sem vantagem sobre o republicano Donald Trump.

O atual ocupante da Casa Branca, Barack Obama, encarregou-se esta manhã de galvanizar as forças democratas naquele que será talvez o Estado mais importante no escrutínio de 8 de novembro: a Florida.

"Há momentos em que o curso da História pode mudar. Eles não surgem com muita frequência (...). Este é um deles, é diferente de tudo o que vivemos até agora", declarou em Miami o 44.º Presidente dos Estados Unidos, que abandonará o poder a 20 de janeiro.

Alertando para o perigo que representaria, na sua opinião, uma Presidência Trump, Obama ironizou longamente sobre o magnata nova-iorquino do imobiliário, a sua carreira, a sua atitude, o seu estilo: "Não queiram confiar armas nucleares a uma pessoa que se irrita por causa de um 'sketch' humorístico do 'Saturday Night Live'".
Preocupado com a hipótese de uma apatia eleitoral, perante a fraca adesão que a candidata suscita, o campo democrata usa todos os trunfos: na véspera do escrutínio à noite, a algumas horas da abertura das assembleias de voto, Bill e Hillary Clinton, Barack e Michelle Obama juntar-se-ão em palco em Filadélfia, uma cidade carregada de simbolismo.

A última sondagem CBS/New York Times, publicada esta quinta-feira, atribui à ex-secretária de Estado, de 69 anos, 45% das intenções de voto, contra 42% para o empresário nova-iorquino, de 70 anos. A anterior sondagem, divulgada em meados de outubro, dava a Hillary uma vantagem de nove pontos percentuais.

Porém, há ainda um cenário encorajador para a candidata democrata, que espera tornar-se a primeira mulher Presidente da história do país, 24 anos após a eleição do marido, Bill: as projeções do jornal New York Times e do site FiveThirtyEight ainda preveem a sua vitória, com 86% e 67% de probabilidade, respetivamente.

Em 2012, na reta final da campanha, Barack Obama, que disputava um segundo mandato, e o republicano Mitt Romney, estavam lado a lado nas sondagens e o Presidente democrata venceu por uma confortável margem de quatro pontos percentuais.

Desta vez, após todo um festival de acusações e ataques rasteiros entre os dois candidatos, mais de seis norte-americanos em dez afirmam já ter feito a sua escolha e garantem que a sucessão de "revelações" mais ou menos falhadas dos últimos dias não os fará mudar de opinião.

Durante muito tempo atrás nas sondagens, Trump, que obteve um segundo fôlego com o anúncio da reabertura pelo FBI da investigação aos emails enviados por Hillary, enquanto secretária de Estado, de um servidor privado, voltou à Florida, onde a vitória do republicano George W. Bush se definiu por algumas centenas de votos, em 2000.

Para Trump, Hillary "nem deveria ser autorizada a candidatar-se à Presidência", por se alvo de uma "investigação criminal", como defendeu hoje em campanha em Jacksonville.

O magnata criticou também diretamente Obama, que se deslocaria àquela cidade durante a tarde: "Ele está aqui em campanha a favor de Hillary-a-crápula, porque é que não está no seu gabinete a criar emprego para os americanos?".

Qualquer que seja o resultado do escrutínio de 8 de novembro, será ensombrado por uma constatação: a maior potência mundial está, mais do que nunca, dividida e surda aos apelos para a união feitos por Obama.

Os dois campos, que há meses não se poupavam, abandonaram agora qualquer tipo de subtileza no ataque.

O candidato republicano afirmou na quarta-feira que a eleição da sua adversária poderia provocar uma "crise constitucional sem precedentes" e mesmo uma "terceira Guerra Mundial".

Há meses vítima de ataques à sua retidão, Hillary já só fala de passagem do seu programa político. Os seus comícios tornaram-se sessões de citação das piores afirmações de Donald Trump sobre as mulheres, os imigrantes, os muçulmanos.
"Meus amigos, esta não é uma eleição normal", frisou ela na quarta-feira, recorrendo a um eufemismo.

A sondagem CBS/New York Times confirma uma divisão muito clara do eleitorado: Hillary tem uma sólida vantagem de 14 pontos percentuais junto das mulheres, Trump um claro avanço de 11 pontos junto dos homens.