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“Facebook e Apple podem ter o controlo que o KGB nunca teve”

Yuval Noah Harari é um historiador israelita que foi considerado um dos grandes pensadores de referência da atualidade depois do seu primeiro livro ter sido recomendado por Barack Obama e Mark Zuckerberg. Em entrevista ao El País, explica o que motivou a sua segunda obra onde analisa o impacto e os riscos da inteligência artificial e dos algoritmos na sociedade e na natureza humana

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O historiador israelita Yuval Noah Harari considera, em entrevista ao “El País”, a propósito do lançamento do seu novo livro - “Homo Deus” (Debate), que a Google, Facebook, Amazon ou Apple estão a começar a ter um conhecimento demasiado profundo dos gostos e da vida dos seus utilizadores e, portanto, estão a ter demasiado poder, mais do que aquele que aos espiões russos do KGB tentaram ter durante a Guerra Fria.

"Os nossos dados pessoais são o nosso maior ativo. Mas toda a gente ios cede à Amazon, Facebook e Google em troca de um correio eletrónico, das redes sociais e dos vídeos de gatinhos. Essas empresas acumulam uma grande quantidade de dados e analizá-los permite-lhes compreender a sociedade e o mundo melhor que ninguém", disse.

E, acrescenta, "pemitir que o Facebook e a Amazon moldem o futuro da humanidade tem perigos inerentes. Não porque representem o mal, mas porque têm uma visão limitada do mundo, têm os seus próprios interesses e não representam ninguém, ninguém votou neles".

Aliás, diz Harari que "o cérebro é tão complexo que nem o KGB soviético, a espiar os cidadãos a todas as horas, seria capaz de entender as pessoas e antever os seus gostos e desejos. De certa forma, isso torna-nos livres. Mas no século XXI estamos a adquirir mais conhecimentos biológicos e os computadores têm mais poder. Ou seja, aquilo que o KGB era incapaz de controlar, o Facebook ou a Apple podem fazê-lo. Daqui a 10, 20 ou 30 anos?".

Harari nota ainda que "estamos a perder o controlo das nossas vidas e a ceder aos algoritmos" e ainda que "os políticos perderam a noção da realidade".

"Donald Trump afirma que os chineses vão roubar os empregos aos norte-americanos, mas não serão os chineses., serão os robôs. É preciso convencer os políticos que a inteligência artificial não é ficção cientifíca".