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Libertação de presos políticos baixa tensão na Venezuela

Spencer Platt/GETTY

A oposição venezuelana cancelou uma marcha de protesto rumo ao palácio presidencial e o Parlamento suspendeu o julgamento político de Maduro, na sequência da libertação de seis presos políticos

A oposição venezuelana reunida na coligação MUS (Mesa de Unidade Democrática) cancelou a marcha de protesto convocada para quinta-feira e com destino ao palácio de Miraflores, sede da presidência. A Assembleia Nacional onde a MUD detém a maioria suspendeu também ontem, terça-feira, o julgamento político de Nicolás Maduro sobre as suas responsabilidades na crise económica e social na Venezuela.

A decisão da oposição segue-se à libertação na segunda-feira de seis presos políticos, apenas 24 horas após o arranque do diálogo entre o governo e a MUD.

A desconvocação da marcha e da convocação de Maduro ao Parlamento põe água na fervura depois da escalada de tensão sentida na semana passada. Grandes manifestações de protesto contra a suspensão pelo Governo do referendo para reduzir o mandato de Maduro levaram os à rua partidários da oposição em 24 cidades do país. Manifestações que originaram confrontos com a polícia e de que resultaram centenas de feridos.

Na altura, a MUD decidiu convocar a marcha sobre Miraflores, quebrando um tabú da oposição, depois de iniciativas semelhantes terem sido brutalmente reprimidas pela polícia, causando muitos mortos.

Vaticano entre os mediadores

“Há que saudar o resultado do diálogo, que a oposição tenha tomado decisões sensatas. Esperemos que isto seja o caminho para que muito em breve a Assembleia Nacional reconheça as decisões do Supremo Tribunal de Justiça e respeite a constitucionalidade”, declarou o Presidente Nicolás Maduro no programa semanal radiofónico.

As negociações entre o governo e a oposição foram mediadas pelo Vaticano, Espanha, Panamá e República Dominicana. De acordo com o “El Mundo”, o Vaticano desempenhou um papel fulcral tendo pedido “alguns dias” à oposição antes de levar a cabo ações de protesto.

Entretanto, a oposição salientou que só participará nas conversações com o Executivo sob algumas condições, nomedamente a libertação de todos os presos políticos, a recuperação dos poderes plenos do Parlamento, a aceitação da ajuda humanitária por parte do governo e a convocação de eleições antecipadas, refere o “El País”.

O governo e a oposição voltam a reunir-se no próximo dia 11 de novembro para retomar o diálogo. A deputada da oposição Adriana D'Elia já alertou que caso a MUD não obtenha resposta às suas reivindicações não hesitará em recuperar a “agenda parlamentar e as ações nas ruas”, escreve o “El Nacional”.

Segundo o diretor do Fórum Penal Venezuelano, Gonzalo Himiob S., existem ainda no país 108 presos políticos, apelando à libertação dos restantes prisioneiros. “Todo o passo para a liberdade é bom, mas há que destacar que os prisioneiros que foram libertados até agora estão submetidos a medidas cautelares e continuarão a enfrentar o processo judicial”, sublinhou o responsável.

Em plena crise económica e social, agravada pelo impacto da queda do preço do petróleo, as perspetivas da Venezuela não são nada animadoras. Segundo o FMI, o PIB do país deverá cair 8% este ano e 4,5% no próximo, enquanto o desemprego deverá disparar para 17% este ano e para 20% em 2017.