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Internacional

Forças iraquianas “rompem linha da frente” e alcançam entrada de Mossul

AHMAD AL-RUBAYE

Correspondente da BBC que acompanha os combatentes curdos diz que coligação de forças iraquianas está a enfrentar dura resistência à medida que se aproxima do centro da cidade. Na terça, conseguiram alcançar os arredores leste do último bastião dos radicais no Iraque pela primeira vez desde que o grupo se instalou ali em junho de 2014

As tropas iraquianas que estão no terreno a combater o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) nos arredores de Mossul conseguiram romper a linha da frente de batalha sem sofrerem quaisquer perdas e estão agora na entrada leste da segunda maior cidade do Iraque e último bastião do grupo radical no país.

Num comunicado citado pela Al-Jazeera, o comando de operações conjuntas do Iraque disse que as suas forças entraram ontem em Judaydat al-Mufti, uma área nos arredores de Mossul a apenas três quilómetros de distância do aeroporto, pela primeira vez desde que a cidade foi tomada pelo grupo jiadista em junho de 2014. A mesma informação foi avançada à BBC por Sabah al-Numan, porta-voz da coligação de forças leais ao Governo iraquiano, que explicou que vários militantes do Daesh perderam a vida nos últimos dias à medida que os batalhões se aproximam do centro.

Esta quarta-feira é o 17.º dia consecutivo da operação militar para expulsar o Daesh do último centro urbano sob seu controlo no Iraque, uma que envolve cerca de 50 mil tropas iraquianas, combatentes curdos (peshmerga) e membros de tribos árabes sunitas. O enviado da BBC no terreno, que acompanha as forças curdas, diz que as tropas apoiadas pela coligação internacional por via aérea estão a enfrentar dura resistência por parte dos militantes que restam na cidade.

Al-Numan, que é porta-voz dos Serviços de Contraterrorismo, diz que as tropas conseguiram "romper a linha da frente do centro de Mossul" e "libertar uma área muito importante que era a principal entrada em Mossul pelo leste". "Tivemos de travar uma dura batalha com o ISIS [Daesh] nesta área e podemos libertá-la muito rapidamente e também sem quaisquer baixas, face aos inúmeros mortos e executados do ISIS."

Na segunda-feira, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, disse que haverá entre 3000 e 5000 militantes ainda dentro de Mossul que não têm "qualquer escapatória" e que "ou se rendem ou morrem". A ONU continua a manifestar preocupações com os cerca de milhão e meio de habitantes que permanecem encurralados em Mossul. O alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos voltou na segunda-feira a alertar para relatos credíveis sobre mais execuções em massa e recolocações forçadas de civis pelo Daesh, à semelhança daqueles que recebera há uma semana sobre "atrocidades contra civis". A missão da ONU de apoio ao Iraque diz que 1792 pessoas perderam a vida na região desde o início de outubro, 1120 delas civis.