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Equipa de Hillary Clinton rejeita sondagem nacional que dá ligeiro avanço a Trump

PAUL J. RICHARDS/GETTY

“Não é de todo o que vemos”, diz um assessor da candidata democrata à Casa Branca, falando num “mau inquérito de opinião”. Faltam sete dias para as eleições norte-americanas

A campanha de Hillary Clinton não acredita que o seu adversário nas presidenciais a tenha conseguido ultrapassar nas intenções de voto nacionais, ou pelo menos colocar-se numa posição de potencial empate, como aponta a mais recente sondagem da ABC News/Washington Post – uma que dá a Donald Trump um avanço de um ponto percentual sobre a rival, dentro da margem de erro, pela primeira vez desde maio e a apenas uma semana das presidenciais.

Um dos assessores da candidata democrata disse esta terça-feira à noite, aos jornalistas concentrados na Florida, o estado swing onde Clinton tem estado em campanha na reta final do processo eleitoral, que esse inquérito de opinião foi "mal feito" e que não detetaram nada no terreno que aponte que a decisão do FBI de investigar um novo conjunto de emails da candidata tenha tido um impacto negativo na campanha.

"Não é de todo o que vemos. Parece haver algum modelo [de execução da sondagem] que tem alguma coisa de errado. A corrida ficou mais renhida como antecipávamos que acontecesse, mas não vemos nada que sugira [que esta nova sondagem] esteja correta", disse o assessor.

A mesma fonte disputa igualmente os resultados de outras sondagens levadas a cabo depois de sexta-feira, quando o diretor do FBI, James B. Comey, enviou uma carta ao Congresso a dizer que uma equipa da agência federal está a analisar um conjunto de milhares de alegados emails de Clinton que foram encontrados no computador de Anthony Weiner, marido da principal conselheira da candidata Huma Abedin.

"Não vemos qualquer prova de que a história de Comey tenha tido um impacto" entre o eleitorado. "Temos assistido a provas anedóticas sobre participação eleitoral e o registo de eleitores, números de voluntários, etc, que sugerem que [se o recente caso do FBI] teve algum impacto foi o de encorajar os nossos apoiantes."

Não é esperado que, nesta reta final, Clinton volte a falar publicamente sobre a questão dos novos emails, depois de uma curta referência ao assunto na segunda-feira, em dois comícios de campanha no Ohio, outro estado swing onde a candidata e Trump estão apostados em captar o máximo de apoios ao longo da próxima semana, antes da conclusão do processo eleitoral. Na Florida. como nas próximas paragens de campanha, a democrata deverá centrar-se no peso e extrema importância destas eleições presidenciais, avança o mesmo assessor.

"Não existe nenhum estado mais importante do que outro e penso que [a Florida] é um estado em que ela vai vencer e onde Donald Trump precisaria de vencer. Se ela ganhar na Florida, isso vai colocá-la no topo." Nos próximos dias, diz a mesma fonte citada pelos enviados do "The Guardian" sem ser identificada, "vão ver-nos de regresso à televisão em vários estados durante a última semana. Conseguimos juntar muito dinheiro e é a última semana que temos para gastá-lo. Portanto, vão ver-nos afastar em muitos estados onde não temos investido tanto" em publicidade televisiva direcionada.

Esta terça-feira, num comício em Eau Claire, no Wisconsin, Trump voltou a renovar os ataques à rival pelo facto de estar novamente no olho do furacão das autoridades federais por causa do alegado escândalo de emails relacionado com o uso de um servidor privado enquanto secretária de Estado do primeiro mandato de Barack Obama.

Nesse discurso, o candidato republicano reforçou a questão da "ilegitimidade" da democrata e disse que, se ela for eleita, "isso vai criar uma crise constitucional sem precedentes" e "o trabalho do Governo será suspenso de uma forma inacreditável e inglória". Nas últimas semanas, o magnata populista tem apostado sem tréguas numa retórica sobre fraude em massa nas urnas e acusações de jogo sujo à campanha da rival, pedindo aos seus apoiantes que estejam voluntariamente nas urnas a monitorizar o processo de votação.