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Internacional

Campanha de Clinton exige ao FBI que revele o que sabe sobre ligações de Trump à Rússia

Esta imagem foi captada em Milão no mesmo dia em que a administração Obama acusou a Rússia de ingerência nas eleições dos EUA através de ciberataques a favor de Trump

Vittorio Zunino Celotto

Duas reportagens revelaram nos últimos dias que o candidato republicano terá mantido acordos duvidosos com pessoas e empresas russas e que o FBI decidiu não abrir uma investigação formal pela proximidade às eleições, então à distância de meses. Mas, na semana passada, o diretor do FBI reabriu a investigação sobre os emails de Hillary Clinton

A campanha de Hillary Clinton quer que o FBI divulgue publicamente o que sabe sobre as alegadas ligações de Donald Trump à Rússia, acusando a agência federal de estar a dar força ao escândalo de emails da ex-secretária de Estado, permanecendo, ao mesmo tempo, em silêncio quanto às suspeitas que recaem sobre o seu adversário republicano na corrida presidencial.

Hoje, terça-feira o "New York Times" revelou que, este verão, o FBI e o Departamento de Justiça norte-americano se depararam com uma "decisão difícil" sobre duas investigações que tinham o potencial de afetar cada uma das campanhas eleitorais. A notícia tem por base denúncias feitas por fontes da agência federal, que sob anonimato dizem que foi decidido não avançar com qualquer das investigações pela "proximidade às eleições", então à distância de alguns meses.

Na sexta-feira passada, a apenas uma semana e meia da ida às urnas, o diretor do FBI James B. Comey enviou uma carta ao Congresso a anunciar uma investigação a novos emails da candidata democrata, encontrados no computador do marido da sua principal assessora, Huma Abedin. Desde então, a última sondagem para a ABC News e o "Washington Post" colocam Trump à frente de Clinton (embora dentro da margem de erro) pela primeira vez desde maio.

Face à notícia do "NYT", um representante da campanha democrata exigiu esta terça-feira que o FBI torne públicos os pormenores sobre o inquérito preliminar a alegações de que Trump e sócios seus podem ter mantido acordos duvidosos com indivíduos e empresas russas – uma investigação durante a qual não terão sido encontradas provas suficientes para justificar a abertura de um inquérito formal, segundo as fontes citadas pelo jornal.

A exigência foi feita antes da partida de Clinton para a Florida, onde estará esta quarta-feira a tentar captar mais votos mas onde, segundo fontes da campanha, não deverá falar publicamente sobre a nova investigação do FBI às suas mensagens.

Ligações de Trump a banco russo sob investigação

Na segunda-feira, ainda antes das revelações feitas pelo diário nova-iorquino, a revista "Slate" publicou uma reportagem sobre um grupo de cientistas de computação que, durante a primavera, detetou aparentes contactos entre um servidor da empresa de Trump e um banco russo. Recorde-se que, nas eleições presidenciais deste ano, a administração norte-americana tomou a decisão (inédita na diplomacia internacional) de acusar formalmente a Rússia de ingerência nas eleições dos EUA através de ciberataques aos sistemas informáticos do Partido Democrata com o objetivo de reforçar a campanha de Trump.

Clinton continua a garantir que nada de errado será encontrado nos milhares de emails que estavam guardados no portátil de Anthony Weiner, um congressista envolvido num escândalo público por enviar mensagens sexualmente explícitas a várias mulheres, incluindo a uma jovem de 15 anos. Depois das primeiras revelações sobre o caso, Weiner e Huma Abedin, braço-direito da candidata democrata, separaram-se.