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Internacional

Autoridades começam a retirar 1500 crianças do campo de Calais uma semana após demolições

Poucos menores sem acompanhamento foram retirados no final de outubro do campo de refugiados improvisado na fronteira com o Reino Unido. Maioria ficou para trás

Jack Taylor

Primeiros menores desacompanhados foram levados do campo em dois autocarros que partiram esta quarta-feira de manhã para centros de acolhimento noutras zonas de França

As autoridades francesas começaram esta quarta-feira de manhã a retirar do campo de refugiados de Calais as cerca de 1500 crianças refugiadas que chegaram à cidade costeira na fronteira com o Reino Unido desacompanhadas, vindas da Síria, do Afeganistão e de outros países em guerra. A operação começou pelas 8h30 da manhã locais, uma semana depois de o campo improvisado, classificado pela população local como "selva", ter começado a ser desmantelado pela polícia francesa.

Dois autocarros foram vistos a abandonar o local pelas 8h30 da manhã transportando os primeiros menores para outras partes de França onde foram criados centros de receção e acolhimento para processar os registos e pedidos de asilo dos 7000 migrantes que restavam em Calais, num campo improvisado com "condições deploráveis" no último ano e meio. A maioria continua a desejar atravessar o Canal da Mancha e ser realojado no Reino Unido.

Na sequência do início das demolições e limpeza da área na semana passada, uma operação que ficou concluída na segunda-feira, organizações de direitos humanos no terreno tinham alertado que cerca de 1500 menores desacompanhados tinham ficado para trás sem terem sítios onde dormir. Nos últimos dias, passaram as noites em contentores marítimos reaproveitados na esperança de serem transportados para o Reino Unido sob um acordo alcançado com França para o acolhimento em território britânico de crianças que já tenham familiares a viver no país.

Segundo a BBC, as autoridades francesas deram esta quarta-feira novos documentos às crianças que continuavam encurraladas em Calais e disseram-lhes que os seus pedidos de asilo no Reino Unido vão deixar de ser processados ali, à semelhança do que já tinha acontecido na semana passada com os milhares de adultos que viviam naquele campo e que foram transferidos para 450 centros de receção e registo criados noutras partes de França.

Na terça-feira à noite, a polícia de choque foi novamente destacada para Calais perante confrontos entre cristãos eritreus e adolescentes afegãos muçulmanos, avança o canal britânico. Fonte da polícia disse que cerca de 100 jovens estiveram envolvidos nos confrontos e que dezenas de eritreus conseguiram refugiar-se numa igreja adaptada para acolher temporariamente parte dos refugiados.

No mesmo dia, o Presidente francês, François Hollande, voltou a garantir que mais ninguém será autorizado a voltar ao campo desmantelado da fronteira, numa altura em que as ONG continuam a temer que, assim que as autoridades abandonem a zona, esta volte a ser um porto de abrigo de eleição para osque buscam o apoio da União Europeia e que têm como objetivo alcançar o Reino Unido.

Na última semana, as ruas de Paris encheram-se de centenas de pessoas que viajaram de Calais para a capital, com uma grande avenida do nordeste da cidade a ficar cheia de tendas, à semelhança do que foi acontecendo nos centros de outras capitais europeias desde que dezenas de milhares de pessoas começaram a fugir do Médio Oriente e África para o continente.