Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

As grandes datas da mobilização internacional contra o aquecimento global

O histórico acordo de Paris sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa, alcançado em 12 de dezembro passado em Paris, entra em vigor na sexta-feira, quatro anos antes do prazo limite de 2020.

Para entrar em vigor, o acordo de Paris exigia a ratificação de pelo menos 55 países responsáveis por 55% das emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE).

Hoje, 92 dos 197 signatários do acordo já tinham ratificado o documento.
A Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP22) reúne-se de 7 a 18 de novembro, em Marraquexe (Marrocos), já com o acordo de Paris em vigor, dando continuidade à mobilização internacional que se iniciou no final dos anos 1980:

1988: Criação, sob a égide da ONU, de um Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Clima (GIEC), encarregado de fazer a síntese dos conhecimentos científicos sobre as alterações climáticas.

1990: Primeiro relatório do GIEC, que mostra que os GEE ligados às atividades humanas estão a aumentar e a contribuir para o aquecimento global. O GIEC divulgou relatórios também em 1995, 2001, 2007 e 2014.

1992: A "Cimeira da Terra", realizada no Rio de Janeiro, elabora a Convenção-quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCC, na sigla em inglês) e emite um apelo para uma redução voluntária das emissões de GEE.

Todos os anos desde 1995, a Conferência das Partes (COP) da convenção, que agrega todos os Estados signatários (196 países e a União Europeia), reúne-se para avançar na luta contra as alterações climáticas.

1997: Adoção do Protocolo de Quioto, que impõe aos países industrializados a redução até 2012 das respetivas emissões de GEE em 5,2% em relação a 1990. O protocolo não se aplica às grandes economias emergentes, como a China, a Índia e o Brasil. Os Estados Unidos, na altura o maior poluidor do planeta, recusa-se em 2001 a ratificá-lo.

2005: O Protocolo de Quioto entra em vigor em fevereiro, depois de ter sido ratificado pela Rússia em 2004.

Em novembro, a Conferência de Montreal (COP11) põe-no em prática, o que torna possível a criação de mercados de carbono.

2006: A China torna-se, ultrapassando os Estados Unidos, o principal emissor de CO2 no mundo, à frente da UE, da Índia, da Rússia e do Japão.

2007: O quarto relatório do GIEC considera "irrefutável" e "inequívoco" o aquecimento planetário em curso, cujas consequências previsíveis são a multiplicação de fenómenos climáticos extremos e a subida do nível médio da água dos oceanos em várias dezenas de centímetros até ao final do século XXI.

Em outubro, o GIEC recebe, juntamente com o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, o prémio Nobel da Paz, e será duramente criticado após a descoberta de erros no quarto relatório, nomeadamente sobre a afirmação de que os glaciares dos Himalaias "poderão desaparecer até 2035".

2009: Grande cimeira sobre o clima em Copenhaga, em dezembro. A conferência falha o objetivo de alcançar um acordo mundial, desembocando num texto político negociado 'in extremis' que envolve China e Estados Unidos.

O texto estabelece como meta limitar o aumento da temperatura do planeta a dois graus celsius em relação à época da Revolução Industrial, mas é vago quanto aos meios para a alcançar. Prevê uma ajuda de 100 mil milhões de dólares (90,9 mil milhões de euros) por ano até 2020, para apoiar as políticas climáticas dos países mais pobres.

2010: O acordo de Cancun (México) propõe a criação de um "Fundo Verde" para ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar o aquecimento global, mas a questão das fontes de financiamento mantém-se por regular.

2014: O quinto relatório do GIEC prevê um aumento global das temperaturas no final do século XXI de entre 3,7 e 4,8 graus Celsius em relação a 1850-1900, se nada for feito para inverter essa tendência.

Complexas negociações decorrem na COP de Lima (Peru), para redigir um projeto de texto, com vista a um acordo em dezembro de 2015, destinado a substituir o Protocolo de Quioto a partir de 2020.

30 nov 2015: Início da reunião da COP21 em Le Bourget (norte de Paris), cujo objetivo é fechar o primeiro acordo global vinculando o conjunto dos países a combater o aquecimento global, limitando as emissões de gases com efeito de estufa. Uma cimeira excecional de 150 chefes de Estado e de Governo dita o arranque da conferência.

11 dez: Após uma noite de duras negociações, vários países mostram-se irredutíveis nas suas posições. A aprovação de um acordo final é adiada 24 horas.

12 dez: Um acordo que prevê limitar o aumento da temperatura do planeta "a bem menos de 2ºC", uma revisão obrigatória dos compromissos "a cada cinco anos", bem como uma ajuda financeira progressiva aos países do Sul, é finalmente adotado com aplausos pelos 195 países representados na COP21.

3 set de 2016: A China, responsável por 20% das emissões globais de GEE e os Estados Unidos, com 18% das emissões globais ratificam o acordo de Paris.

5 out: A UE, responsável por 12% das emissões globais de GEE, ratifica o acordo de Paris.

4 nov: O acordo de Paris vai entrar em vigor, quatro anos antes do prazo limite (2020).