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África do Sul prestes a conhecer relatório sobre corrupção do Presidente Zuma

MIKE HUTCHINGS/REUTERS

O Presidente sul-africano desistiu do recurso para impedir a divulgação do documento. Milhares de pessoas manifestam-se nas ruas pela sua demissão. “Hoje é um dia histórico... Jacob Zuma tem de ser responsabilizado”, afirmou o líder do maior partido da oposição

O Tribunal Superior de Pretória ordenou que o relatório oficial sobre suposta corrupção do Presidente sul-africano seja divulgado até às 17h (16h em Lisboa) desta quarta-feira, após os advogados de Jacob Zuma terem desistido do recurso para impedir a divulgação do documento.

A decisão foi conhecida numa altura em que milhares de pessoas estão a manifestar-se nas principais cidades sul africanas exigindo a demissão do chefe de Estado.

“Hoje é um dia histórico... Jacob Zuma tem de ser responsabilizado”, afirmou Mmusi Maimane, líder da Aliança Democrática, o maior partido da oposição.

A antiga responsável do combate à corrupção, Thuli Madonsela, investigou a suposta influência ilegitima da abastada família indiana Gupta sobre o Governo. Após terem chegado ao país no início dos anos 1990, a família Gupta construiu um império que se estende desda a exploração mineira, até aos transportes, tecnologias e media.

As acusações apontam para que tenham tentado nomear ministros em troca de favores comerciais. Um dos filhos de Zuma, Duduzane, é parceiro comercial da família. Tanto o chefe de Estado como os membros da família negam as acusações.

O relatório sobre a investigação foi concluído no mês passado e devia ter sido divulgado a 14 de outubro, mas Zuma tentou legalmente que isso não acontecesse.

“As minhas instruções são para retirar o recurso”, afirmou o advogado Anthe Platt, não tendo sido conhecidos os motivos que levaram Zuma a desistir de tentar impedir a divulgação do relatório.

“Ele reconheceu que não tem base (legal) para evitar a divulgação”, afirmou o especialista constitucional Lawson Naidoo, citado pela BBC.

Alvo de diversas acusações de corrupção ao longo dos anos, o Presidente, atualmente com 74 anos, confronta-se com o aumento da contestação e com a quebra da popularidade do ANC face ao agravamento da situação económica do país