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Internacional

Papa Francisco comemora Lutero na Suécia

Michael Campanella/GETTY

Não é um gesto surpreendente, vindo de alguém que tem visitado sinagogas e mantido encontros com representantes de religiões muito diferentes de todo o mundo

Luís M. Faria

Jornalista

O Papa Francisco está esta segunda e terça-feira na Suécia para comemorar Martinho Lutero. Ou mais precisamente, como ele explica, a contribuir para sanar a divisão de séculos entre duas grandes igrejas cristãs. O pretexto são os 500 anos da Reforma luterana (embora o aniversário formal seja no próximo ano, as comemorações já estão em curso). Mas o propósito é mais geral.

Duas celebrações ecuménicas, uma na catedral de Lund e outra em Malmö, serão ocasiões para agradecer a melhoria de relações entre católicos e protestantes. Esta terça-feira será o dia católico propriamente dito, com uma grande missa celebrada no estádio de futebol de Malmö, que tem capacidade para 15 mil pessoas. “Queria ser uma testemunha ecuménica. Depois pensei no meu lugar como pastor do rebanho católico”, disse o Papa para justificar o dia extra de visita.

Quanto ao fundador da Reforma, o antigo monge agostiniano que afrontou Roma e foi considerado uma figura quase demoníaca pela Igreja Católica ao longo dos séculos, o Papa mostra compreensão. “Acho que as intenções de Martinho Lutero não eram erradas”, disse ele em junho, numa entrevista. “Ele era um reformista. Na altura, a igreja não era exatamente um modelo a imitar. Havia corrupção, mundanidade, apego ao dinheiro, ao poder, e ele protestava contra isso”.