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Internacional

Morte de peixeiro desencadeia ira nas redes sociais e vaga de protestos em Marrocos

ABDELHAK SENNA/EPA

A sequência de acontecimentos está a gerar comparações com o início da Primavera Árabe em 2010, na Tunísia. Neste caso, a indignação cresceu em torno da morte de um peixeiro berbere do norte de Marrocos, que foi esmagado quando tentava evitar que o seu peixe fosse apreendido

Milhares de pessoas manifestaram-se este domingo em vários pontos de Marrocos, expressando a sua indignação pela morte de Mouhcine Fikri, um peixeiro berbere de Al-Hoceima, cidade do norte do país, que foi esmagado por um camião do lixo quando tentava evitar que o seu peixe fosse apreendido e destruído pelos agentes da cidade.

A violenta cena em que o vendedor de 31 anos foi esmagado, na sexta-feira, foi registada por telemóvel. O vídeo foi divulgado na internet despoletando ira e indignação e o processo está a ser comparado com a Primavera Árabe de 2010, que teve na sua origem a morte de um vendedor tunisino.

Mouhcine Fikri recusara-se a obedecer à polícia, tendo acabado por ser intercetado no seu carro onde transportava uma “quantidade considerável de espadarte, uma espécie interdita.

Nas redes sociais muito exprimiram a sua “Hogra”, termo que denomina abusos e injustiças levados a cabo por agentes do Estado.

Uma multidão participou no domingo no funeral do vendedor de peixe. A procissão foi encabeçada por dezenas de carros que ostentavam bandeiras berberes, a etnia da região.

“Somos todos Mouhcine”, gritaramos manifestantes no domingo, na capital Rabat.

A diretoria-geral da segurança nacional emitiu uma declaração no domingo negando o envolvimento dos seus funcionários na morte.

Em visita oficial à Tanzânia, o rei Mohammed VI deu instruções “para que seja realizado um inquérito minucioso e aprofundado” e enviou no domingo a Al-Hoceima o seu ministro do Interior que visitou a família apresentando “as condolências e a compaixão do soberano”.

No sábado, o primeiro-ministro Abdelilah Benkirane apresentou as condolências à família e apelou às pessoas para que não viessem para as ruas protestar.

A Associação Marroquina dos Direitos Humanos condenou o incidente “hediondo” e recordou um outro caso ocorrido também em Hoceima, no qual cinco jovens morreram durante protestos ocorridos em fevereiro de 2011, em sequência da Primavera Árabe.