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Internacional

Islândia vota na estabilidade

Birgitta Jonsdottir e membros do Partido Pirata assistem ao anúncio dos resultados eleitorais

GEIRIX / REUTERS

Os eleitores islandeses reconheceram o esforço de estabilização da economia do país após 2008 e votaram na continuidade do partido maiss votado, o Partido da Independência. Falta saber que coligação governará os próximos quatro anos

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Apesar de o Partido da Independência ter mantido a dianteira nas intenções de votos dos islandeses, o país vai ser doravante governado por uma coligação, que incluirá muito provavelmente o Partido Pirata. Os dois partidos mais votados obtiveram 29% e 14,5% dos votos, o equivalente a 21 assentos e dez assentos, respetivamente, no Parlamento de 63. O Partido da Independência, de centro direita, ganhou dois assentos, um resultado que ultrapassou as previsões eleitorais e o confirma como o partido mais votado nos seis distritos do país.

O Partido Progressista foi o mais castigado ao perder mais de metade dos votos no sábado passado na sequência da demissão do primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson em virtude das revelações dos Panama Papers.

No escrutínio de sábado 29, o Partido Pirata quase triplicou os votos depois de ter sido fundado há apenas quatro anos, por um grupo de ativistas, anarquistas e ex-ciberpiratas. Numa aliança com três partidos de esquerda, soma 27 assentos no Parlamento, menos cinco do que o necessário para obter maioria.

A agência Reuters lembra que o resultado do escrutínio ainda reflete a zanga dos eleitores com a crise financeira de 2008 seguida pelas alegadas implicações de políticos islandeses nos paraísos fiscais que foram revelados este ano pelos Panama Papers. Os eleitores parecem no entanto reconhecer os esforços de estabilização da economia do país após 2008, defende a Reuters, facto expresso pelo voto favorável ao Partido da Independência.
Ainda no domingo tiveram início as conversações com vista à formação do próximo Executivo, ainda que o partido mais votado tenha ainda de ser mandatado pelo Presidente Gudni Johannesson para formar governo.

“Tivemos o apoio mais substancial”, declarou à Reuters o líder do Partido da Independência e atual ministro das Finanças Bjarni Benediktsson, acrescentando que o partido preferiria uma coligação tripartida, ainda que não revelasse com que partidos.

A líder do Partido Pirata, Birgitta Jonsdottir, sublinhou que o partido obteve o mais alto número de votos projetado (14,5% em 15% previstos). Smari McCarthy, um dos membros jurídicos do partido, chamou-lhe um “sucesso épico”, que abre muitas possibilidades de coligação governativa.