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Erdogan manda prender diretor do mais antigo jornal secular turco

OZAN KOSE

Murat Sabuncu vem engrossar a lista de jornalistas detidos e/ou investigados pelas autoridades da Turquia por alegadas ligações ao clérigo Fethullah Gulen, que o Governo turco responsabiliza pelo golpe de Estado falhado de 15 de julho. Durante o fim de semana, a polícia encerrou outros 15 órgãos de comunicação social e mais 10 mil funcionários públicos foram despedidos

Murat Sabuncu, diretor do jornal secular da oposição turca "Cumhuriyet", foi detido esta segunda-feira pela polícia turca por alegadas ligações ao clérigo exilado nos Estados Unidos que Recep Tayyip Erdogan acusa de estar por trás do golpe de Estado falhado, em meados de julho.

Sabuncu é o último de uma série de jornalistas da oposição a Erdogan a ser detido e investigado pelas autoridades turcas, que este fim de semana encerraram mais 15 órgãos de comunicação social e despediram mais 10 mil funcionários públicos. Entre sábado e domingo, a polícia levou a cabo buscas nas casas de vários jornalistas do "Cumhuriyet", acusados de ligações a Fethullah Gulen e a militantes do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Entre os funcionários públicos afastados dos seus empregos contam-se académicos, professores, funcionários do sector da saúde, guardas prisionais e especialistas forenses. Desde a tentativa de golpe falhada a 15 de julho, o Governo de Erdogan mantém em vigor decretos de emergência que os seus críticos dizem que estão a ser usados para perseguir opositores ao Governo –e que a Amnistia Internacional diz que correspondem a um "cheque em branco" passado à polícia para torturar suspeitos detidos. Desde esse dia, cerca de 110 mil pessoas já foram despedidas ou suspensas, entre elas pelo menos 13 mil agentes da polícia, e 37 mil foram presas.

O "Cumhuriyet" é o jornal secular mais antigo da Turquia e um dos últimos que restava na barricada de críticos do atual Governo. Sabuncu foi detido em Istambul ao início desta manhã e, segundo a agência estatal Anadolu, vários outros funcionários do jornal estão a ser procurados pelas autoridades sob mandados de captura emitidos por um tribunal local.

O antecessor de Sabuncu à frente do "Cumhuriyet", Can Dundar, tinha apresentado a sua demissão em agosto. após ter sido condenado a cinco anos de prisão por ter revelado segredos de Estado relativos às operações das forças turcas na Síria, num outro caso que os críticos e grupos internacionais de defesa de direitos humanos dizem ser politicamente motivado e ter como objetivo silenciar um dos últimos jornais da oposição ao regime. Depois de ter sido libertado sob fiança, enquanto aguardava a conclusão do processo de recurso à sentença Dundar terá fugido do país.