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Internacional

Candidato às legislativas da Holanda começa a ser julgado por incitamento ao ódio

Em julho, Wilders foi um dos líderes da extrema-direita europeia a ser convidado de honra de Donald Trump em eventos de campanha do candidato republicano à Casa Branca

Chip Somodevilla

A apenas quatro meses e meio da ida às urnas nos Países Baixos, tribunal de Schiphol dá esta segunda-feira início ao julgamento de Geert Wilders, líder do Partido da Liberdade holandês, por alimentar xenofobia contra marroquinos. Populista, que enfrenta até dois anos de prisão, diz que vai boicotar processo por ser "politicamente motivado"

O líder do Partido da Liberdade (PVV), a extrema-direita holandesa, começa a ser julgado esta segunda-feira por incitamento ao ódio contra marroquinos num discurso público há dois anos. Na sexta-feira, Geert Wilders tinha anunciado que não estará presente no tribunal de Schiphol para ouvir as acusações que pendem sobre si, por considerar que está a ser vítima de um processo "absurdo" e "politicamente motivada" que "viola a liberdade de expressão".

O caso remonta a um comício de campanha em março de 2014, quando o candidato às legislativas entusiasmou os seus apoiantes com cânticos contra os marroquinos que vivem na Holanda, após o seu partido ter falhado a obtenção da maioria no conselho municipal da cidade de Haia. Nessa noite, Wilders perguntou à multidão que o apoiava se queriam ter "mais ou menos marroquinos" no país. Quando as pessoas responderam "menos" em uníssono, o líder populista respondeu: "Então trataremos desse assunto."

Na sequência desse discurso, mais de 6000 pessoas apresentaram queixas formais contra o líder do PVV junto da polícia em Haia e, nove meses depois, o político foi formalmente acusado de discriminaçao racial e incitamento ao ódio. A pena máxima prevista na lei holandesa para estes crimes é de dois anos de prisão, embora seja mais comum os acusados serem condenados a pagar uma multa e a cumprirem serviço comunitário.

Wilders é famoso há vários anos, na Holanda como no resto da Europa, pela sua retórica contra o Islão, defendendo que o Corão seja proibido no país e que todas as mesquitas em território holandês sejam encerradas. Até agora, só tinha sido alvo de um processo judicial por incitamento ao ódio, em 2011, por encorajar a xenofobia contra muçulmanos. O juiz responsável por esse caso ditou a sua absolvição.

Num artigo de opinião publicado na sexta-feira no jornal "AD", o populista disse que se recusa a "cooperar" com este julgamento "politicamente motivado", garantindo que vai boicotar o processo judicial que, na sua opinião, representa uma violação da liberdade de expressão. Nessa coluna, Wilders defende que, naquela noite de 2014, falou em nome de "milhões de holandeses que estão fartos da disrupção e terror causados por tantos marroquinos" no país. "Se falar é uma ofensa, a Holanda já não é um país livre mas uma ditadura", escreveu.

O último caso judicial contra o líder xenófobo surge a apenas quatro meses e meio das legislativas holandesas de março de 2017 e numa altura em que as sondagens de opinião mostram o PVV bem colocado entre a população, praticamente empatado com o partido no poder, os liberais do VVD, do atual primeiro-ministro Mark Rutte. Os últimos inquéritos preveem que cada um desses partidos deverá obter entre 25 e 29 assentos dos 150 que compõem o Parlamento holandês.

A popularidade de Wilders e do seu movimento de extrema-direita acompanha a de outros partidos da mesma natureza na Europa, em particular a Frente Nacional (FN) em França, cuja líder Marine Le Pen poderá conseguir passar à segunda volta nas presidenciais de abril de 2017, e o Alternativa para a Alemanha (AfD), cuja atual líder Frauke Petry tem conseguido garantir importantes vitórias nas eleições regionais deste ano no país e que está igualmente bem colocada nas sondagens para as eleições federais do final do próximo ano.