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Internacional

300 milhões de crianças respiram ar seis vezes mais poluído do que a OMS acha tolerável

Kevin Frayer/GETTY

É a conclusão de um relatório publicado esta segunda-feira pela UNICEF e que foi elaborado com recurso a imagens de satélite

Luís M. Faria

Jornalista

Cerca de dois mil milhões de crianças respiram um ar cujos níveis de poluição superam o limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). É a conclusão de um relatório publicado esta segunda-feira pela UNICEF e que foi elaborado com recurso a imagens de satélite. Trezentos milhões de crianças vivem em zonas – sobretudo no sudoeste asiático mas não só – onde a poluição supera seis vezes o limite da OMS. Isso tem consequências de muitos tipos. No imediato, resulta em problemas respiratórios, diminuição de capacidade pulmonar, danos aos sistemas imunitários, subidas da taxa de mortalidade infantil...

O relatório distingue entre poluição externa e dentro de casa. A externa tem origens diversas, desde queima de combustíveis fósseis em unidades industriais até emissões de veículos, queima de lixo, poeiras. No conjunto, esse tipo de emissões aumentaram cinco vezes entre 2008 e 2013. Quanto à poluição interna, gerada pela utilização de combustíveis fósseis para aquecer e iluminar as casas ou para cozinhar, tem um efeito ainda mais extenso sobre as crianças.

Um estudo da Sociedade Europeia de Cardiologia já tinha confirmado a relação direta entre a poluição, tanto atmosférica como sonora, e níveis mais elevados de hipertensão, a qual por sua vez tem implicações que podem ser fatais. O estudo incidiu sobre 41 mil pessoas em cinco países europeus. Segundo professora Barbara Hoffman, que o liderou, "dada a presença ubíqua de poluição na ar e a importância da hipertensão como o mais importante fator de risco na doença cardiovascular, estes resultados têm consequências significativas de saúde pública e exigem regulações de qualidade de ar mais apertadas".

O relatório surge em vésperas de mais uma ronda de conversações sobre alterações climáticas, que vai acontecer a partir da próxima semana em Marrocos. A UNICEF pede uma monitorização mais rigorosa dos níveis de poluição e medidas de proteção mais eficazes para crianças – por exemplo, não instalando fábricas junto de escolas, dada a especial vulnerabilidade dos organismos infantis.

Também foi repetido, uma vez mais, o apelo a uma diminuição do uso de combustíveis fósseis. O diretor-executivo da UNICEF Anthony Lake lembrou que a poluição no ar contribui decisivamente para a morte de 600 mil crianças por ano em todo o mundo, "e ameaça as vidas e os futuros de milhões mais a cada dia".