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Internacional

Ataque a prisão no Iémen mata pelo menos 60 pessoas

Números das Nações Unidas revelam que desde o início do conflito cerca de 2,5 milhões de iemenitas foram obrigados a deixar o país. Mais de metade da população encontra-se em risco de morrer à fome e necessita de ajuda urgente.

YAHYA ARHAB/EPA

Coligação árabe liderada pela Arábia Saudita atacou o complexo prisional por achar que as suas instalações estariam a ser usadas como centro de comandos dos rebeldes hutis

Helena Bento

Jornalista

Pelo menos 60 pessoas, incluindo presos e rebeldes hutis, morreram no sábado na sequência de ataques aéreos da coligação árabe liderada pela Arábia Saudita contra uma prisão iemenita. O último balanço divulgado pelas autoridades apontava para 40 mortos.

Abdel-Rahman al-Mansab, membro das forças de segurança de Al Hudeida, no mar Vermelho, confirmou que as vítimas mortais são, sobretudo, prisioneiros, num total de 115 pessoas que ocupavam, até então, as instalações da prisão de Mulhaq, situada num complexo policial. A cidade de Al Hudeida está sob controlo dos rebeldes hutis apoiados pelo Irão e por aliados locais, como o ex-Presidente iemenita Abdullah Saleh desde 2014, assim como a capital, Sanaa, e praticamente toda a região norte do Iémen.

A guerra no país intensificou-se em março de 2015, quando a coligação militar composta por países de maioria sunita interveio diretamente a favor do Presidente Hadi, o único reconhecido pela comunidade internacional, e contra os hutis, xiitas.

O ataque de sábado ao complexo prisional foi justificado com o facto de o lugar estar a ser, alegadamente, usado como centro de comando dos rebeldes hutis. Abdel-Rahman al-Mansab, das forças de segurança, negou essas alegações à AP, garantindo que a prisão é única e exclusivamente “um lugar de civis”. Entre as vítimas dos bombardeamentos da coligação encontram-se, aliás, socorristas que, entre ataques aéreos, se deslocaram à prisão para ajudar a socorrer os feridos.

Organizações não-governamentais e grupos de ajuda humanitária acusam a coligação liderada pela Arábia Saudita de levar a cabo ataques contra civis, em zonas residenciais, hospitais e escolas. Números das Nações Unidas revelam que desde ínicio do conflito no país já morreram mais de 10 mil pessoas. Feridos e deslocados perfazem um total de três milhões de pessoas, contabilizadas desde março de 2015. Mais de metade da população encontra-se em risco de morrer à fome e necessita de ajuda urgente.

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