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Paramilitares xiitas lançam operação em Mossul

GORAN TOMASEVIC/REUTERS

Operação tem como objetivo reconquistar a cidade de Tal Afar ao autoproclamado Estado Islâmico e cortar as linhas de abastecimento com a Síria. Participação dos paramilitares é uma fonte de tensões: curdos iraquianos e os sunitas não concordam com a sua participação na batalha. Milícias xiitas já disseram, contudo, que não pretendem entrar na cidade de Mossul

Paramilitares xiitas iraquianos lançaram este sábado uma operação em Mossul ocidental para reconquistar a cidade de Tal Afar ao grupo Estado Islâmico (EI) e cortar as linhas de abastecimento com a Síria, anunciou o porta-voz das milícias xiitas.

“A operação tem como objetivo cortar o abastecimento entre Mossul e Raqqa (reduto do Estado Islâmico na Síria) e apertar o cerco em Mossul e libertar” a cidade de Tal Afar, disse à AFP o porta-voz milícias xiitas de al-Chaabi Hachd, Ahmed al-Assadi.

Além de recuperar Tal Afar, a operação visa também retomar as cidades de Tal Abta e Hatra, perto da qual está localiza um sítio arqueológico classificado pela UNESCO como património mundial da humanidade.

As unidades paramilitares xiitas de mobilização popular (Hachd al-Chaabi), apoiadas pelo Irão, tinham sido pouco envolvidas, até agora, na batalha lançada a 17 de outubro pelas forças iraquianas para tomar Mossul, a segunda cidade do Iraque e último grande bastião do EI no país.

Mas a participação do Hachd al-Chaabi na ofensiva é uma fonte de tensões, uma vez que os curdos iraquianos e os sunitas não concordam com a sua participação na batalha.

Contudo, as milícias xiitas já disseram que não pretendem entrar na cidade de Mossul, de maioria sunita.

Tal Afar era uma cidade predominantemente xiita antes de os extremistas sunitas do Estado Islâmico a terem conquistado em 2014.

  • Para perceber as contradições no terreno, basta pensar que há um acordo que para que seja o exército iraquiano, maioritariamente xiita, a tomar a cidade. Isto apesar dos peshmerga serem o melhor ativo nesta ofensiva. Para além de serem militarmente mais eficazes, os curdos têm uma vantagem sobre o xiitas: não assustam os sunitas. Uma das razões pelas quais a população de Mossul tem medo de fugir da cidade é por temer ser morta pelo exército iraquiano que a vai libertar. Compreende-se que o poder xiita não queira que restem dúvidas sobre de quem terá o poder na cidade. Mas, no dia seguinte, não sabemos como serão tratados os sunitas – que os xiitas associam ao terror do Daesh. Tudo pode voltar rapidamente ao caos que fez nascer aquele grupo. Liderados por um grupo de voluntaristas, corruptos e irresponsáveis, os EUA fizeram o Iraque transitar de uma tenebrosa ditadura para um não menos tenebroso (mas mais imprevisível) caos. Ao fazê-lo, num país multirreligioso e multinacional, com conflitos latentes que iam muito para lá das suas fronteiras, espalharam estilhaços por toda a região. Estilhaços que hoje nos chegam em atentados terroristas e levas de refugiados. A ocupação de Mossul é, pelas especificidades daquela cidade, uma reprodução de todos os riscos que vivemos até agora. Não chega libertar Mossul. É preciso não deixar que ali se repitam todos os erros que se cometeram no Iraque

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