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Espanha. Sánchez renuncia ao lugar de deputado e evita abster-se

ANDREA COMAS

O ex-líder do PSOE contorna, assim, a obrigação de respeitar a orientação de voto do seu partido na votação que irá eleger Mariano Rajoy chefe do Governo

O ex-líder do PSOE, Pedro Sánchez, renunciou este sábado em Madrid ao lugar de deputado para evitar a obrigação de respeitar a orientação de voto do seu partido e abster-se na votação que irá eleger Mariano Rajoy chefe do Governo.

"Compareço aqui para anunciar a minha renúncia como deputado", disse Pedro Sánchez numa conferência de imprensa convocada seis horas antes do início da sessão parlamentar (às 18h30, menos uma em Lisboa) que deverá investir Rajoy e a tempo de registar a sua renúncia nos serviços do Congresso de Deputados (parlamento).

Com este anúncio, O ex-líder do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) evita desobedecer à disciplina de voto decidida pela nova direção provisória dos socialistas e também uma possível suspensão da sua militância no partido que o afastaria da corrida ao lugar de secretário-geral, mais uma vez.

Pedro Sánchez defendeu com firmeza que o PSOE se devia abster a uma investidura de Mariano Rajoy, mas no início de outubro acabou por se demitir depois de uma corrente maioritária do seu partido ter decidido que os socialistas se deviam abster para evitar a marcação de novas eleições, as terceiras no espaço de um ano.

O ex-líder socialista avisou hoje que o mandato da comissão de gestão que dirige o PSOE acaba na segunda-feira e exigiu que esta anuncie "data, hora e lugar" do próximo congresso extraordinário que vai eleger o novo secretário-geral do partido.

"Os socialistas querem votar. Os socialistas querem votar", repetiu Sánchez numa atitude desafiadora contra os que "facilitam" a investidura de Mariano Rajoy.
O ex-líder desejou, mesmo assim, "sorte e discernimento" ao líder do Partido Popular (PP, direita) como presidente do Governo, porque isso "será bom para o conjunto dos espanhóis".

"Espanha precisa de ter uma alternativa credível às políticas do PP e foi nesse sentido que tenho vindo a trabalhar durante os últimos escassos anos e continuarei a trabalhar a partir de agora", disse Pedro Sánchez.

Mariano Rajoy deverá ser eleito hoje em Madrid presidente do Governo espanhol com a abstenção dos deputados do PSOE, depois de ter perdido uma primeira votação, na quinta-feira, quando os socialistas votaram contra.

Na primeira votação, em que precisava da maioria absoluta do Congresso dos Deputados (parlamento), Rajoy obteve 170 de votos a favor, do Partido Popular (PP, direita), do Cidadãos (centro) e da Coligação Canárias, tendo o resto da assembleia (180) votado contra.

Este sábado, na segunda votação o candidato a chefe do executivo só precisa da maioria simples do parlamento e a abstenção do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) deverá garantir o sucesso da sua investidura.

Uma das incógnitas da votação é saber o número de socialistas que vão romper a disciplina de voto depois de Pedro Sánchez ter anunciado que renuncia ao lugar para não ter de contrariar a disciplina de voto.

Até agora cerca de 12 deputados socialistas estavam dispostos a votar "não", entre eles os sete do Partido Socialista da Catalunha, uma organização autónoma, mas integrada no grupo parlamentar do PSOE.

O líder do PP já falhou uma primeira tentativa de investidura em setembro no parlamento, quando apenas contou com o apoio do Cidadãos e da deputada da Coligação Canária, tanto na primeira como na segunda votação e a oposição de todos os outros partidos.

O PP foi o partido mais votado, mas sem conseguir a maioria absoluta, tanto nas eleições que se realizaram a 20 de dezembro de 2015 como nas eleições de 26 de junho em que aumentou a percentagem de votantes e o número de deputados.

O PP teve em junho 33,0% dos votos e 137 deputados, seguido pelo PSOE com 22,7% e 85 deputados, Unidos Podemos com 21,1% e 71 deputados e Cidadãos com 13,0% e 32 deputados.