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Segundo maior grupo rebelde da Colômbia vai libertar refém “em breve”

Getty Images

Exército de Libertação Nacional anunciou que vai libertar o ex-congressista Odin Sanchez, refém desde abril. Conversações com o governo deveriam ter começado ontem no Equador, mas o Presidente Juan Manuel Santos, laureado com o Nobel da Paz pelo acordo alcançado com as FARC, diz que só se sentará à mesa de negociações com a guerrilha quando Sanchez estiver “são e salvo”

O Exército de Libertação Nacional (ELN), o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia, garantiu que vai dar início ao processo de libertação de um dos seus reféns, uma condição-chave imposta pelo Presidente Juan Manuel Santos para que as conversações de paz com o grupo possam começar, à semelhança das que conduziram o Governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) a um histórico acordo que valeu a Santos o prémio Nobel da Paz deste ano.

A informação foi avançada por fontes oficiais do Executivo, que dão conta de que o ELN se comprometeu em libertar o ex-congressista Odin Sanchez "em breve" — o homem que, em abril, se voluntariou para substituir o seu irmão doente, Patrocinio, como moeda de troca do grupo rebelde.

As negociações deveriam ter começado ontem, quinta-feira, no Equador, mas Santos disse que só se sentará à mesma mesa do ELN quando Sanchez estiver em liberdade. O Exexutivo, garantiu, continua comprometido em "avançar com o processo" de paz. A primeira data para o início das conversações com o grupo estava marcada para maio deste ano, mas esse prazo acabou por ser adiado após os rebeldes do ELN se terem recusado a parar de raptar pessoas, como exigido pelo Executivo de Santos.

Depois disso, o Exército de Libertação Nacional, o maior grupo rebelde armado da Colômbia a seguir às FARC, comprometeu-se em parar de fazer reféns e agendou para 27 de outubro o início formal das negociações, sob mediação do vizinho equatoriano.

Na segunda-feira, a apenas três dias dessa data, o ministro Juan Camilo Restrepo disse à rádio colombiana que, "se Odin Sanchez não for libertado entre hoje e quinta, as condições não estarão cumpridas para dar início à fase pública das negociações". Em resposta à pressão, o ELN acusou o Governo de Santos de "torpedear" as negociações. Mas esta quinta-feira, Restrepo anunciou que a Cruz Vermelha, com a ajuda de representantes da Igreja Católica, já está a tratar da operação de libertação e resgate de Sanchez.

O antigo membro do Congresso está em cativeiro desde abril, depois de se ter oferecido para substituir o seu irmão, Patrocinio Sanchez, ex-governador da província de Choco que foi capturado pelos rebeldes do ELN há quase três anos e meio e que entretanto ficou gravemente doente.

Nas suas declarações à imprensa, o ministro da Agricultura não indicou quanto tempo levará até Sanchez ser libertado, mas voltou a sublinhar que as negociações só terão início quando ele estiver "são e salvo". Na mesma conferência, Restrepo disse que o Governo espera que Sanchez seja libertado antes de 3 de novembro, a nova data oficial para o início das negociações formais de paz.

Neste momento, o governo de Santos continua empenhado em salvar o processo de paz com o ELN mas também com as FARC, o maior grupo rebelde da Colômbia, com o qual alcançou um histórico acordo de paz em setembro depois de três anos de negociações, que para surpresa de muitos analistas foi chumbado por uma maioria dos eleitores colombianos em referendo a 2 de outubro.

Os esforços diplomáticos têm como objetivo enterrar uma guerra civil de 52 anos entre os grupos rebeldes de esquerda e as forças de segurança e paramilitares de direita, que provocou mais de 260 mil mortos e milhões de refugiados e deslocados internos.